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quarta-feira, janeiro 18, 2017

Davos e a tecnologia

Entre a subida de Trump na Casa Branca, o discursos de primeira ministra britânica colocando as regras para sair da zona do Euro, uma guerra civil na Síria que arrasta as grandes potências a tomar posição num conflito que tem ingredientes extras de racismo, terrorismo, ditadores e religião. O mundo volta o seu olhar para uma garbosa cidade nos alpes suíços onde a elite do mundo se encontra para dar as cartas ao futuro da humanidade. 

Com a derrocada das esquerdas do cenário político o protecionismo da direita ganhou força e a economia mundial pode ter um ano de muitas emoções, quem principalmente perde com isso são os países emergentes que dependem de financiamentos externos que ficaram mais na esfera local atendendo suas próprias demandas, uma exceção a isso é a China que apesar de gigante econômico, depende das empresas internacionais que colocam suas fábricas lá, e que sofrem pelo impacto da balança comercial instável. Ou seja a China comunista é a principal nação a defender o livre mercado contra o protecionismo e a globalização que na leitura dos chineses, não tem nada a ver com os problemas financeiros que afetam o mundo (e estão eles muito certos). A posição chinesa coloca o mundo mais uma vez de cabeça pra baixo, ainda mais quando presidente chinês passa a citar Abraham Lincoln em seu discurso.

Outros temas que estarão no foco das discussões são as mudanças tecnológicas no sistema financeiro com o o uso de tecnologias de big data, blockchain e bitcoins. Um assunto que já foi abordado mansamente na última reunião do G4 e que pode mudar todo o cenário do comércio mundial e gerar uma derrocada dos empregos nas áreas financeiras e de controles. Outro ponto a ser abordado também tem a ver com tecnologia, onde os novos sistemas de automação podem eliminar mais empregos, antes as operações físicas passaram a ser feitas de modo automático eliminando alguns serviços braçais, agora o risco é aos trabalhos intelectuais onde um sistema cognitivo pode fazer o trabalho de advogados, juízes e etc, um sistema de Internet das Coisas que pode automatizar uma máquina automática de venda de refrigerantes a ponto dela mesmo fazer o pedido de reabastecimento, ou um sistema de entrega da Amazon que pode operar 24 horas retirando um produto de uma prateleira ao comando de um robo e entregar com um drone no local desejado. Ainda tem a questão automobilística que observa a criação de veículos autônomos, ou seja a tecnologia entrou com o pé forte nas portas de Davos.

Enquanto muitos dormem nesses pontos, o parlamento europeu se prepara para votar em fevereiro a regulamentação do uso de robos no mercado de trabalho, o Facebook planeja criar uma interface humana ligando diretamente cérebro ao computador e o anúncio de que as 8 pessoas mais ricas do mundo detém uma renda igual aos 3.6 bilhões de humanos mais pobres mostra bem o lado onde os espertos e antenados estão, desses 8, 6 atuam no ramo de tecnologia.



quarta-feira, agosto 24, 2016

Capitalismos colaborativo - enfim a terceira via !

Durante a minha infância vi dois modelos econômicos se digladiarem, o mundo era bilateral quem não era capitalista, consequentemente socialista era. Numa briga que mais parecia um Fla X Flu o agente político levou o modelo socialista à bancarrota, sobrou o que "na teoria" era o melhor... a exploração do trabalho humano capitalista venceu a batalha, mas se repararmos bem as teorias do Marxismo, o capitalismo não era o fim de uma história, mas a forma de sociedade em representar a natureza humana, e como tudo, ela também muda e evolui ao longo do tempo. Como se tratava de um modo de produção historicamente transitório tem contradições que o levariam à sua queda.

Para Marx, a base de cada sociedade humana é o processo de trabalho, seres humanos cooperando entre si para fazer uso das forças da natureza e, portanto, para satisfazer suas necessidades. O produto do trabalho deve, antes de tudo, responder a algumas necessidades humanas. Deve, em outras palavras, ser útil.

Sob o capitalismo, todavia, os produtos do trabalho tomam a forma de mercadorias. Uma mercadoria, como assinala Adam Smith, não tem simplesmente um valor de uso. Mercadorias são feitas, não para serem consumidas diretamente, mas para serem vendidas no mercado. São produzidas para serem trocadas. Desse modo cada mercadoria tem um valor de troca, "a relação quantitativa, a proporção na qual valores de uso de um tipo são trocados por valores de uso de um outro tipo".

Deter os meios de produção é encarado como poder em ambos os casos, deter mercadorias é o símbolo máximo de uma sociedade capitalista forte, eis então que surge o conceito de usufruir sem a necessidade de se ter. Algo esperado tanto por socialistas derrotados, como por capitalistas descrentes por seu próprio modelo econômico. 

Os principais modelos econômicos surgiram nos últimos 300 anos após as  duas revoluções industriais lideradas por Inglaterra e Estados Unidos. Esse pioneirismo transformou esses países em potências mundiais.

Um novo modelo econômico vem a reboque de uma terceira revolução industrial que está ocorrendo nas últimas décadas com o advento da tecnologia de informação, foi possível ampliar debates, disponibilizar e massificar informações de uma forma nunca imaginada. Isso atinge o consumidor de uma forma mais crítica e sem a necessidade de agentes indiretos  à produção. Sem a necessidade de repassar o fruto da produção para comercializar diretamente. O comércio sofre um impacto nunca visto, o custo de produção ao consumidor final cai e o consumo de camadas menos abastadas cresce. Vimos exemplos disso crescendo na China e no Brasil em sites como o Ali Express. 

Isso não é tudo, pois vemos florescer a economia do compartilhamento. Assim como o pensamento socialista surgiu do receio que se tinha com o capitalismo, hoje a limitação de recursos, a necessidade de expansão da economia e a busca de níveis de eficiência constantes, coloca em xeque o modelo, e gera um híbrido composto pela economia de troca no mercado capitalista, e pela economia do compartilhamento socialista. Esse novo modelo é criado por uma mudança na forma de pensar da nossa sociedade global, hoje os jovens experimentam produzir e compartilhar o seu próprio entretenimento, notícias e informações... em breve farão isso com roupas, carros apartamentos. Hoje é possível criar um filme e publicar no YouTube, ter a experiência de transporte pelo Ubber sem a necessidade de ter um carro, residir sem a necessidade de ter uma casa de campo, mas tendo acesso às informações do Airbnb. Tudo baseado nas experiências e não nos serviços, tudo sem a interferência de intermediários, e a um custo muito menor! 

Analisar e qualificar essas experiências em redes sociais serão tarefas para os sistemas cognitivos e isso valerá mais que as marcas publicitárias. As gerações mais novas não querem ter um carro, isso é coisa do vovô. As gerações mais novas querem acesso, e não posse. E no fim vão qualificar suas experiências e essa qualificação serão o marketing do futuro.

A internet das coisas vai conectar campos de agricultura, linhas de produção de fábricas, lojas de varejo e armazéns, veículos autônomos e casas inteligentes. A eficiência do processo produtivo vai superar os níveis atuais, o custo marginal vai reduzir a valores irrisórios. Tudo poderá ser simulado em modelos matemáticos complexos. 

O movimento da nova economia está em curso, sem modelos teóricos, sem regulação governamental, sem pressão da economia. Os jogadores com certeza não serão as velhas empresas capitalistas que tínhamos antes, mas agentes adaptados à economia do compartilhamento. 

terça-feira, julho 07, 2015

Analytics

Tenho visto muito teste babaca de internet que te definem pela foto de perfil, pelas preferências da timeline e etc. Tudo brincadeira mas tem gente que acredita e segue essas definições credulamente. Até briga eu já vi por discordarem do resultado da "renomada pesquisa" sobre a foto do perfil do facebook !! Pois bem, existe um campo da ciência chamado psicolinguística onde se analisa a personalidade de uma pessoa baseando-se na forma e a frequência com que usamos certas palavras. Muitos vão pensar que isso é tendencioso e passível de erro pois podemos manipular o que escrevemos, passível de erro todo o teste é mas a análise é feita a partir de tudo o que postamos na internet, nos nossos emails e etc, e aí o nível de seriedade muda completamente. É possível que alguém consiga ser o que não é por algum tempo, mas não em 100% do tempo e manipular um programa desses é bem difícil.

Esses vigias de internet já existem , óbvio que tem erro, mas já é possível vislumbrar usos práticos dessa coisa, o problema é interpretar um volume de dados monstruoso... na década de 90 a sensação das palestras de CRM era falar que se um sujeito compra uma bicicleta um programa de CRM para oferecer a bomba pra encher o pneu. O avanço disso é muito maior agora, o volume de processamento é infinitamente maior que nos tempos só de um CRM, hoje falamos em ANALYTICS que possui toda uma metodologia própria para tratar grandes volumes de dados, o carro chefe para fazer esse serviço ... WATSON, aí é mais fácil identificar perfis de consumos baseado em sentimento. O campo de pesquisa dessa área ficou bem mais sério e as aplicações podem ser infinitas... a mais bobinha, fazer com mais critério o que qualquer teste de facebook faz, descobrir a sua personalidade, o resultado impressiona ! Veja