Usar a palavra é um dos poucos meios que dispomos de entrar para a posteridade, não que seja esse o meu intuito aqui nesse espaço. Meu intuito é somente tornar público o que fica guardado na minha mente e nos meus escritos "secretos".
quarta-feira, outubro 12, 2022
Depressão
segunda-feira, outubro 10, 2022
O amor começa num chute
Não sou mãe ...pela ótica de pai não sei ao certo quando começa o amor pelos filhos, não sei se é no sonho de menino de um dia tê-los, não sei se é no momento em que o sonho se realiza em ouvir que o exame deu positivo, obviamente isso vai variar de pessoa para pessoa. Comigo o momento forte não foi quando eu sonhei, quando eu realizei .. mas foi quando eu concretizei! E não foi quando eu vi ali aquele meninão saindo da barriga da mãe. As preocupações foram tantas que, quando eu soube pelo telefone que o tal exame tinha dado positivo, tive um misto de alegria, amor mas o meu caráter planejador sabia que minha vida viraria de cabeça pra baixo e que a responsabilidade da vida tinha batido em minha porta. Aí vieram os nove meses de transformação, no corpo e na alma da mãe... e no meu espírito, sabia que o legado que eu estava preparando teria enfim um herdeiro a se inspirar nos meus passos. Acompanhar ressonâncias, sentir ele chutando a barriga da mãe (sim, esse é o chute que me referia no título), ou ver o parto não fizeram a minha ficha cair. Eu sempre precisei ficar sozinho para me encontrar em mim mesmo e digerir as emoções, os pensamentos e concretizar as minhas conquistas internamente. Lembro bem do dia ... 24 de abril de 2006, madrugada.. ele dormia calmamente num carrinho do berçario de número 007 eu olhava abobalhado aquela criancinha tão perfeitinha e tão frágil em seus primeiros momentos de vida (afinal quando a vida começa?!?!?), olhei o sol nascendo, sim ... como aquele menino o sol nascia como todos os dias, mas naquele dia nascia pela primeira vez pra ele, ia formando uma cor deslumbrante no céu, a mãe dormia cansada... e ali estava eu, sozinho... eu e ele! Quem fazia companhia para a minha solidão era o fruto de um momento de amor por outra pessoa. Peguei eles nos braços, uma lágrima escorreu dos meus olhos, em silencio, levei ele pela janela e o apresentei para a vida! Veja o seu mundo ! Sussurrei no seu ouvido .... estava começando ali um outro ato de amor.
O segundo filho veio em momento atribulado da minha vida, a ficha com ele deve ter demorado alguns meses mais a cair, quando eu percebi já estava amando aquela criancinha barulhenta de uma forma que transbordava a alma, não me recordava do exato momento em que esse amor veio e depois fui percebendo que era um amor bem mais suave e maduro, não brotou de uma vez só, era um amor que já existia mas que me fez acordar da letargia quando a mãe possivelmente fez brotar o amor dela por ele. Ali eu percebi que os homens só nascem de verdade para a vida quando tornam-se pais, e renascem quando vem os outros filhos. Sempre fui pai .. desde criança os filhos já estavam presentes na minha vida, nos meus sonhos, no meu destino, faltava concretizar. Se mães são como eu e precisam estar sozinhas e sentir a concretização daquilo que está acontecendo com a vida dela, essa concretização vem num chute que dão dentro da sua barriga (e eu não faço ideia da sensação que pode ter isso !!) Ali pela primeira vez a mãe sente a força do que carrega dentro de seu ventre, ali deve brotar o amor que vai carregar até os últimos dias da sua vida.
Eu posso estar sendo machista ou falando de um assunto que desconheço que não me compete, porém é algo que sinto no peito que eu pude sentir sendo pai. Um sentimento que pode até ser imperfeito mas o que é uma imperfeição ... se a perfeição da vida está em entender as imperfeições dela ?
Humanidade encurralada nos sonhos dos mortos
Vivemos num mundo vazio, tomado por informações irrelevantes, por formadores de opinião auto denominando-se influenciadores digitais que determinam o pensamento moderno, os costumes, as atitudes, o consumo. Vivemos numa humanidade à mercê do pouco uso que se faz com o que nos difere do resto das espécies, a inteligência. Mas mesmo assim ainda avançamos como civilização, tendo avanços nas ciências, medicina, criando novas formas de artes, novas formas de interação, de comunicação, indo além dos horizontes já conquistados !
E onde mais poderíamos avançar ? Que novos campos poderiam ser desenvolvidos como a tecnologia dos computadores e celulares? Se tecnicamente a humanidade avançou muito, ainda vemos a brutalidade nas relações humanas, não sabemos lidar com nossa psique, com nosso espírito, temos conceitos distorcidos de tempo, de criação, de existência. Vivemos o que aparentamos, olhamos assustados para o que somos por dentro, não cuidamos do nosso planeta, não protegemos outras espécies, não entendemos os relacionamentos de leis universais e naturais que regem a vida. Não sabemos conviver civilizadamente... O conceito de civilização começou com uma perna quebrada, ali naquele primeiro momento onde os arqueólogos descobriram uma ossada com um osso de fêmur calcificado inicia-se o conceito de civilização e de vida em sociedade. É simples explicar, num período dos homens das cavernas sair para caçar era extremamente arriscado, conseguir uma caça por si só difícil e durante muito tempo os hominídeos viviam cada um por si, uma fratura de perna significaria a inoperância para caçar, o abandono à própria sorte e ... por fim, a morte ! Mas um indivíduo que chegou a vida adulta, com uma fratura calcificada significa que ficou curado e que coube a algum semelhante cuidar dele enquanto ficava curado, esse alguém que teve pela primeira vez a empatia com seu semelhante, reforçou os laços humanos e possivelmente ali naquele esqueleto calcificado brotou pela primeira vez a gratidão! Difícil saber se foram de fato os primeiros fenômenos mas com certeza foram os primeiros que puderam ser registrados, num tempo onde a comunicação como a de hoje nos impedia de registrar a vida da civilização. Mesmo aquele esqueleto calcificando sendo tão igual a nós... nos parece tão distante, mas o DNA é fundamentalmente o mesmo, o que nos difere é o conhecimento!
O vazio é existencial, quando os valores humanos não preenchem nossa existência, a solidez da vida acaba ao menor ato de desespero onde busca-se acabar com ela. A devoção pelo que é belo deu lugar ao que vende e tem apelo comercial, não se busca mais fazer o melhor mas o que pode ser consumido rápido. Com isso não se produz arte, não come-se bem, não há conhecimento e sim informação em demasia, se mortos tem sonhos são almas penadas vagando no vazio mas o vazio é estreito porque nem ele prolifera num terreno tão infrutífero quanto o que vemos agora, gerações perdidas e sem certezas em relação ao futuro, sem construir um futuro, sem esperanças no presente, sem sonhos, sem planos e com muita religião ... muita crença e pouca fé!
domingo, abril 17, 2022
Brasil e a Educação parte 1
Educação é a única solução para o Brasil... educação é o assunto mais relegado do Brasil. É um problema histórico e que tende a ficar mais evidente a medida que impacta diretamente a qualificação educacional e consequentemente as taxas de desemprego histórico que temos atualmente no país. A educação deveria ser a área primordial de um país em desenvolvimento. A busca de novas saídas econômicas, fomentação de inovação, pesquisa de aumento de produtividade, localização de produção que gere uma soberania nacional e independência da nação, esse são só alguns dos potenciais benefícios que justifiquem o investimento em educação, mas por décadas é um assunto velado de que não há interesse político em se investir em educação, pois um povo que pensa não se ajoelha aos pés dos tiranos.
A partir de quando podemos analisar os problemas da educação no Brasil? Podíamos traçar uma linha desde o Brasil colônia, ou tomando por largada os primeiros anos do império, ou da república ... pouco faz de diferença .. os governos Vargas incluíram sim milhões de brasileiros na escola, mas ainda assim deixou uma horda de igual tamanho sem educação, houveram bons programas nos governos JK e Jango mas era apenas pequenos lampejos sem programas de governos estruturados com base na educação, colocando esse ponto como a linha mestra de um governo. Tirando muito pouca coisa de útil em toda a primeira metade do século XX o Brasil chegou aos governos militares nos anos 70 com programas de educação em massa que não buscavam mais que qualificação em educação básica, e uma baixa no analfabetismo funcional. Nada que pudesse animar um país que não podia nem ter conhecimento político, nem exercer sua cidadania plena, programas como o Mobral tinha como meta acabar com o analfabetismo em 5 anos, mas a realidade é que apenas 15% dos que entravam no programa saiam dele, os números de 11 milhões de pessoas atendidas não reflete uma baixa significativa no número de iletrados, falam de uma redução na taxa de analfabetismo na população adulta de 24% para 15% mais um número contestado que melhorias nas condições de professores para ensinar outras matérias, o pais seguiu burro, dominado e subserviente. Vieram os períodos de redemocratização e os lampejos seguiram-se poucos, programas como os CIEPs e CIACs, um pouco mais de organização na gestão do ministério da educação no governo FHC e uma redução lenta, porém constante de uma taxa de 16% nas taxas de analfabetismo em 1992 para 11% em 2002, pouquíssimos 5 pontos percentuais em uma década. Mas partir desse período já podemos buscar algumas referências de ações que possam ajudar a pensar o futuro ... aí vieram os governos do PT.
O primeiro governo Lula foi marcado por pouca prioridade com o tema, uma nova fase de redução da taxa de analfabetismo, se mostrou lenta e nem as referências internacionais de programas na Venezuela, Colômbia, Coréia do Sul, Japão, Holanda ficaram mais claras a um modelo que o Brasil poderia seguir, derrapamos mais uma vez. Quando, em 2006, Cristóvão Buarque se candidatou para presidente tendo como pauta uma proposta concreta para mudar a nação e promover a inclusão social a partir de uma revolução pela educação recebeu míseros 2,5 milhões de votos (2,6% da população). Ali ficou claro que os governos e políticos só seguiam a prioridade que o povo dava para o tema, povo que não pensa não pode ver o seu futuro... Os governos do PT privilegiaram até com certo sucesso, o acesso as universidades mas os índices de desistência se mostraram altíssimos ficando claro que temos problemas na formação da base educacional e no ensino médio, em 2010 a taxa de desistência já era alta 11,4%, em 2014 o percentual de desistências foi de 49%.
Existem raízes históricas e sociais com uma visão pouco otimista em relação ao dados que sugerem queda gradativa nos índices, a condições políticas, econômicas e sociais acabam por determinar as condições em que vai ocorrer a oferta de escolarização, quem terá acesso a ela, qual sua possibilidade de progresso, o nível que poderá ser alcançado. A visão histórica nos coloca diante de parâmetros de uma situação sobre a qual não nos é possível interferir, no entanto nos dá uma clara visão dos fatores que são determinantes para o sucesso de um programa nacional de educação, sem cuidar desses fatores, qualquer investimento em educação será mais uma tentativa temporária e frustrada de erradicar com o analfabetismo, dar qualidade ao sistema, melhorar o desempenho da mão de obra do país e propor uma nova visão de futuro para o Brasil.
Com o uso de novas tecnologias para acesso a educação podemos pensar em sistemas híbridos de ensino, onde aulas presenciais podem tratar de temas que necessitem uma maior interação e de forma virtual seja possível ter temáticas que possam fundir recursos áudio visuais com reflexão. O amplo debate de um modelo de ensino a ser seguindo de forma nacional acaba interrompendo a criação de modelos regionais, as diretrizes devem ser criadas para gestões descentralizadas com fluxos de financiamento educacional sendo geridos por gestores administrativos com formação em educação ou educadores que conheçam as entranhas do sistema burocrático. O tema é complexo e deve ser tratado como prioridade de Estado e não lampejo de um governo. Seja qual for o modelo ele deve ficar a margem de politização, porém as brigas políticas geram uma instabilidade política dentro dos próprios períodos governamentais. Sem nem entrar nas esferas estaduais ou municipais que são um verdadeiro caos, se observarmos a organização federal, que deveria manter o projeto de transformação do país pela educação, vemos um verdadeiro bater de cabeça.
O governo federal em pouco mais de 3 anos já trocou 4 ministros da educação (Milton Ribeiro, Ricardo Velez, Abraham Weintraub, Carlos Decotelli). Nenhum deles com apetite para ver a educação como política pública de Estado. A grande maioria dos ministros foram escolhidos não pelas experiências que puderam ter nas esferas estaduais ou municipais, não por terem em mente um plano educacional para o país e muito menos por entender do asunto. o Mote de se virar ministro da educação no Brasil é ter um viés ideológico parecido com o proposto pelo presidente. O papel de um ministro da educação no Brasil atualmente é conservador e buscar uma guerra ideológica contras as universidade onde florescem 90% da pesquisa no país. Os cortes de financiamento por contingenciamento mostrou que a educação seguia o modelo petista de ser delegada a segundo plano. Os temas eram saber se os universitários fumavam maconha ou liam Marx, se os prefeitos iam pagar propina para construção de escolas e se iam distribuir bíblias aos pastores indicados pelo presidente.
O Brasil perdeu uma pandemia inteira para de estruturar , fez uma olimpíada e um copa do mundo mas ainda segue com 80% dos municípios não tendo mais que 4 escolas, não tem estrutura física, não tem plano pedagógico, não tem valorização do professor, não tem ambição de um plano de ensino remoto, não coloca a educação como pilar essencial para crescimento sócio econômico, o que torna insustentável qualquer outra política nesse aspecto. Fomos um dos últimos países do mundo a acabar com a escravidão, um dos últimos a dar direito ao voto pelos analfabetos, um dos últimos países do continente americano a universalizar o acesso ao Ensino Fundamental, coisa que só aconteceu na década de 2000. Saímos de uma taxa de analfabetismo gigante para cerca de 10% atualmente mas a média de anos nas escolas em 2000 ainda era de 4,9 anos ( o que não dá nem para completar o ensino fundamental), o avanço ocorreu no governo Temer, assim como uma tendência de reforço no ensino médio atuar em tempo integral e o que foi feito disso no atual governo ? Nada!
O pilar do governo bolsonaro são as escolas cívico-militares que sim, são uma boa iniciativa ... na década de 1970, com disciplinas fortes, gastando muito conseguimos um ganho de qualidade na educação que vai nos colocar em outro patamar ... na educação, porque na competitividade econômica seguiremos sendo um pais do atraso. Não é isso que precisamos no século XXI com uma crise de desemprego batendo a nossa porta por conta de defasagem profissional, não competimos mais com outros países para ter uma mão de obra boa, competimos com a tecnologia e a inteligência artificial, a ciência de dados, o IoT, a robótica. A solução volta a ser nos modelos de ensino integral, onde saúde e educação, esporte, lazer e cultura vão se encontrar para enfim ensinar nossas crianças a pensar, ter raciocínio lógico, linguístico, conhecer nossa história e regionalidades. Aprender sobre inovação, gestão, economia doméstica, higiene sanitária, ecologia, tecnologia, ciência. Fazendo um trampolim da agenda educacional já colocaria uma prioridade de estado que estimularia o engajamento dos jovens a ter um futuro melhor. Demonstrar isso através de políticas públicas sérias e duradouras estimula o jovem a ser protagonista da sua vida e os faz sonhar com futuros melhores, isso gera um estímulo para toda a sociedade, o país cresce junto, para bancar o futuro e aí sim poderemos dizer que estaremos construindo uma geração saudável. Enquanto isso o governo está preocupado com a doutrinação ideológica nas escolas, que deve ser combatida mas que sempre existiu... para esse combate ele busca uma outra doutrinação ...a religiosa a forma mais praticada de impedir as pessoas de pensar e de ter uma cultura que não se deixa doutrinar. Seguindo o modelo atual acredito que houve um retrocesso e daria zero para a atual gestão de educação no Brasil, e como vejo esse como o ponto crucial para um bom planejamento de nação não vejo outra justificativa para repetir o zero para qualquer governo que não privilegie a educação como meta de política de Estado.
O impacto da violência na educação
Muito se estuda sobre os impactos econômicos da violência urbana na decadência da cidade, estudos de curto prazo, que indicam os prejuízos por número de homicídios, ou o número de policiais formados que caíram em combate por falta de condições básicas de trabalho enquanto a ferrugem corrói os containers superfaturados das Unidades de Polícia Pacificadora. Ninguém nunca pode estimar quais os efeitos negativos dessa violência, o desperdício de vida e de oportunidades que temos a longo prazo. Da vida interrompida drasticamente num sinal ou do futuro que não veio simplesmente porque morreu no sinal. A vida segue e o tempo faz com que nada disso pareça impactar mais do que o próximo episódio rotineiro do nosso noticiário viciado em notícias fortes.
Educação, que deveria ser a meta básica do país é renegada a segundo plano e ainda sofre um revés diário em função de outras coisas que andam mal, desde o investimento em pesquisa que derrapa na dificuldade econômica, até o aluno que perde as aulas porque pegou dengue. Tudo ... simplesmente tudo impacta o futuro que queremos para as nossas crianças, da sub nutrição na infância, a falta de oportunidade, a educação é o passo atrás que não podemos ter. É o tiro de fuzil que esfacela nossa esperança num amanhã melhor para todos nós.
terça-feira, abril 12, 2022
Brasil e a educação parte 2
Um dos muitos debates paralelos é sobre como alfabetizar, o que deveria ser algo para andarmos para frente passou a ser uma disputa ideológica diante de um cenário gravíssimo que não muda há décadas. Atualmente mais de 50% dos estudantes brasileiros de 8 anos não sabem ler adequadamente e 35% desses não conseguem escrever.
Essa deficiência nos primeiros anos da infância funciona como uma bola de neve, ceifam vidas e futuros. Muitos tem mais dificuldade em aprender depois e começam a reprovar em outras matérias pois não conseguem adquirir a compreensão que estão nos livros, dessa forma abandonam as escolas em poucos anos.
domingo, março 27, 2022
A liberdade mais sagrada é a liberdade de pensar
Como ser livre se temos nosso pensamento preso em ideologias, que não são as nossas, em crenças que nos são impostas, em pensamentos da grande maioria? Um dos maiores desafios que enfrentamos na vida é sermos quem a gente é, e a imposição para sermos massa de manobra começa nas imposições que vem como inocentes expectativas dos nossos pais para a nossa vida, mas o rol de imposições menos inocentes começam com as religiões que forçam o indivíduo a crer aos invés de compreender o mundo em que vivemos, isso cria uma paralisia ao nosso pensar... atrofiamos. Por não pensar, achamos normal consumir a vida dos outros ... alimentando-se do que não é nosso passamos a não ser a gente mesmo. A roupa ...é a da moda, a comida ....é a que vemos todos comerem, o estilo de vida ... é o que passa na televisão, o que é melhor para as nossas próprias vidas ... é o que aparece nas redes sociais.
segunda-feira, janeiro 10, 2022
Loucura de poeta
A tarde transcorre calme e quente, nas ruas o Sol fervilha de gente. O frenesi e o frisson estão em todas as mentes. É um dia normal de uma vida anormal ....ninguém consegue parar .... poucos ouvem a suas respirações, ofegantes e tristes. Os homens passam a vida sem olhar pro lado, sem olhar pro alto, sem contemplar uma estrela, ver o mar ou ouvir o barulho do vento. O mundo inteiro passa silencioso em vidas que se constroem vazias.
Acabou o encanto, acabou a poesia, de viver no balanço do mar, e beber maresia. Então a retidão das linhas entram em nossa casa sem cores, nas linhas de um pré moldado que, no nosso quarto, parece tomar conta da gente ficamos meio que pré moldados também, numa rotina que não tem mais fim, o despertar sempre na mesma hora, o remédio, pegar a agenda, cheklist nos compromissos, reuniões rápidas, reuniões longas, reuniões chatas, decisões, ganhar dinheiro, para poder gastar com coisas que não precisamos depois. Conforto e fartura que nos fazem mal, reconstruir uma roda que gira contra nós! Não sabemos navegar na correnteza do rio, e parece que sempre estamos contra ele mas no controle da situação, e não temos controle de nada. Tudo dentro do nosso celular, a agenda, os compromissos, os contatos, os abraços amigos num like e assim a vida passa, o tempo segue e temos a irreal ideia de poder porque controlamos tudo .. será mesmo ?
Um dia eu ainda pego um barco,eu me deito numa rede ... em rio agitado também tem leito, ando descalço, nado no mar, me jogo na areia, sem compromisso com nada, comendo a comida que encontrar. Olho pro céu a noite contemplando a beleza da vida, o passar do tempo sem contar os minutos, vivo a vida sem freio. Visito as amigos sem programar, roubo sorrisos.. valorizo quem faz questão de me ter por perto. Alguns amores são deixados em lugares escondidos para serem lembrados mais tarde ou esquecidos mais cedo. Arrumo as lembranças, ensaboo a vida. Eis a minha loucura... quando o mundo quer TER, eu só quero TERnura.
segunda-feira, janeiro 03, 2022
Amar é quebrar pedras ... construir estradas
quinta-feira, dezembro 23, 2021
Catavento
Gosto do cata-vento
Que quando venta
Mostra o invisível em movimento
E existe tanto invisível a nossa volta
Que quando menos percebemos
Somos nós que nos movimentamos pela força dele
Nós somos como um cata-vento
Podemos ter uma atitude à mercê do invisível
Podemos nós mesmos catar o vento nos pondo em movimento
É como começar
O que não tem fim
É como amar ... se reencontrando no outro.
É um olhar no espelho, parado e vazio
Mas aí surge uma lágrima contida...
Um sorriso espontâneo ...
Quando um cata-vento roda por nossa ação é como sair de uma encruzilhada
Um destino que deu um nó nas forças do vento
Um caminho que se cruza criando um período estático.
Romper com o parar do vento é tomar uma atitude.
É nos por para girar
E quando nós começarmos a rodar com a força do invisível
É muito difícil parar ...
Rode sempre, não a mercê do vento mas em busca dele...
E se o vento for forte, troque o brinquedo por uma pipa
E deixe o vento te fazer ... voar!
Um passo de cada vez
Se a poesia tivesse um destino, esse destino seria o infinito, porque quando escrevemos uma poesia miramos a alegria que está em todas as coisas muito além do tempo.
Uma poesia mira a beleza do olhar e não os seus olhos, a leitura é só uma ponte entre a palavra realizada e a sonhada eternidade da palavra.
Em passos mansos a poesia se concretiza da inspiração à ideia, do pensamento à ação de escrever, de formatar um sentimento à criação de um texto ... e nesse instante sai do peito passando rápido pelo pensamento um sem freio de ilusões, desejos ... coisas sensíveis aos seres humanos, não se sabe bem porque ? É sempre algo que nos une, um pouco de divindade de termos nascidos assim, tão distantes e tão parecidos. Unidos pela palavra nem tanto, muito mais unidos pelos sentimentos que compartilhamos, e compartilharemos ao longo do tempo.
Novas gerações virão e os sentimentos que nos excitam serão sempre os mesmos, e a poesia estará lá para encher um coração de gratidão por termos lido, de emoção por abraçar nosso peito, de humanidade por nos vermos tão "iguais aos nossos semelhantes". E aí nesse momento descobriremos que a vida é bela.
As pessoas ficam simpáticas percebendo o quanto somos parecidos ao ler um poema ... uma poesia. Descobrem que uma vida é pouca, se é só um pouco de vida. Vivida sendo pouca, sendo pouco vivida.
Vá a um mundo onde eu possa versificar porque que é nesse mundo que se pode ver ao longe e "ver se fica" por lá, esse mundo vai te levar ao infinito das palavras, mas sempre seguindo um passo de cada vez a ponto de podermos voar e a poesia é um voar fora das asas.
sexta-feira, novembro 26, 2021
Noite havaiana
Num tempo entrelaçado entre a distância e o passado... pessoas de longe vão chegando, sorrisos e conversas com um ar de retomada.
O tempo passa .. as coisas mudam .... pessoas chegam cedo, outras tarde, porém ninguém saiu do que já era, e tudo permanece igual.
Ali naquele beira mar, os anseios tem sonhos, os sonhos esperança em se realizar , falamos em futuro e estamos presos em passados. Então o que nos une ? ? Ninguém sabe ao certo... amor ou amizade, coisas difíceis de explicar.
Angústias de filhos, caminhos profissionais, causos ... pouco importa o assunto, pouco importa o que se come, ou o que se bebe. A música ... uma qualquer que não distraia o momento, nada importa além daquele singelo momento presente que tanto esperavam. Ali ... naquele lugar, chinelos se amontoam sem o interesse neles em si.
Quem chegou tem o brilho dos olhos dos momentos presentes, mais lindo que o sol se pondo, mais profundo que o mar, tão intenso como noite de verão com brisa fresca de mar. O vento estufa e entorpece o prazer do reencontro.
O ali naquele lugar há bem pouco era um lá .. tão longe que parecia nunca chegar. Agora é um aqui, todos perto ... embalados com as pétalas da Acácia.
segunda-feira, novembro 15, 2021
A mente de um ateu na morte
Não acreditar em nada !
Extremamente difícil, talvez a mente de um ateu seja muito mais complexa e detenha muito mais auto controle que a de muitos. Isso ocorre simplesmente porque é mais fácil se acreditar em qualquer coisa sem razoar sobre a veracidade das coisas. Simplesmente olhar o Sol e não crer que alguma força maior o colocou ali naquele exato lugar que dista da Terra a ponto de procriar a vida, perceber o tênue equilíbrio de forças monumentais mantém toda a possibilidade de vida. Tempestades solares, atmosfera, gravidade, equilíbrio de astros e átomos isso tudo parece orquestrado por uma força maior mas mesmo assim eles são céticos.
Olhar o milagre da vida e não crer em algum Deus é muito mais complexo que acreditar em qualquer deus charlatão, porém não crer na vida pode ser mais difícil ao meu entendimento que não crer na morte (ou a vida depois dela). Para tentar entender o que é morte, primeiro é preciso entender o que somos, porque afinal se não soubermos exatamente o que somos, como iremos conceber o que irá morrer? Morre corpo, morre alma, morre espírito, mente, memórias, átomos? O que de fato somos??
É certo que o ser humano tem uma tendência a criar verdades e ilusões para atenuar sofrimentos, preservar nosso sistema sensível e consolar nossa mente das verdades dramáticas da vida (só o ser humano tem isso, os outros animais não parecem ter!). Entender que tudo tem um motivo é uma maneira de terceirizar a verdade. Pensar que sempre há algo bom em tudo... um plano maior, é para um ateu um momento de contradição total com a existência de um Deus amoroso. Todos nós queremos esse Deus, que exista um Deus bom, escrevendo certo por linhas tortas e governando a nossa própria vida, que Ele sempre tenha um motivo justo para toda a injustiça do mundo. Será que esse Deus existe exatamente dessa forma? Velhinho, barbudo, caucasiano? E onde fica a auto determinação do Homem? Esse pensamento também não explica a vida e nem a morte, aí entram as religiões, tentando explicar (e nos fazendo crer) todo o mistério da vida (e se pensarmos que a morte também faz parte da vida.... ou do contrário pensar que a vida faz parte da morte, afinal começamos a morrer quando nascemos, como numa ampulheta?).
O que acontece quando morremos? Quem pode dizer ? É uma luz que simplesmente se apaga, uma memória dando reset para nova jornada? O corpo sabe quando vai parar de funcionar ? Ele se desliga abruptamente ou de forma gradual e sensível para libertar o espírito ? Ou não tem espírito na jogada ? Como funciona a máquina humana ? Como querermos crer ou entender Deus se não somos capazes de entender a nós mesmos? A presunção humana as vezes parece maior que o Deus que alguns acreditam.
A respiração para, os movimentos se tornam inconstantes... em seguida o coração para de bombear sangue, órgãos, tecidos, células vão perdendo sua energia, em poucos minutos tudo para mas em alguma fração de tempo que ninguém sabe ao certo o cérebro vai mandar uma mensagem pelos neurónios que ainda estarão ativos, essa mensagem vem por meio de dimetiltriptamina, um composto psicodélico que inibe todos os receptores de serotonina, a glândula pineal que antes estava tão desconexa da vida pela ação de açúcares e conservantes, faz uma liberação abrupta de DMT, o corpo adormece e em lugar das sensações, sonhamos ... imaginamos ... lembramos tudo como um filme que passa, como uma viagem alucinante que nos faz crer que estamos indo para outro plano (é aquele momento em que a vida passa como um filme!). O tempo já não existe mais, tudo se mistura... o futuro acaba, o passado aparece como uma enxurrada no presente. Em breve ele também não existirá mais. O download cerebral cessa, as luzes se apagam, as cortinas se fecham. Nem dor, nem lembrança, nem consciência, não há alma, não há espírito, o corpo ainda tem atividade vital, mas não nossa ... passamos então ao cumprir o papel de devolver para a vida, toda a parte orgânica que tiramos do cosmos. Bactérias, fungos ... bilhões de organismos agora se alimentam de tecidos mortos. A morte gerando a vida numa eternidade biológica, o propósito da decomposição mórbida gerando vida. Novos processos de vida sendo construídos, relacionamento de cadeias de microrganismos interagindo com o que era um humano há poucos minutos. Aí percebemos que o tempo não para. Novas vidas seguem ... cada átomo foi reciclado, perde-se a individualidade e o corpo estará em bilhões de outros corpos como poeira no espaço. O tempo não existe mais para aquela pessoa mas segue seu percurso, sua energia também se extinguiu, mas e sua matéria ?
Do pó viemos ... e para o pó voltaremos. Mas isso é tudo ? Num momento tudo é microscópico, no outro somos a imensidão da vida espalhados pelo cosmos. Quando se morre, morrem tantos sentimentos... mas será que todos eles morrem, a memória de um ente querido será que não o mantem vivo nem que seja na memória alheia ? Alma ... acaba, espírito se solta, vão pra onde ? Vagam como energia no espaço, será que continuam ou será que nunca existiram ? Alguém existiu mas como num virar de página .. passou a simplicidade da vida encontra a compreensão de um ateu.
terça-feira, novembro 02, 2021
TUDO É MAIS RAPIDO E EU CONTINUO SEM TEMPO
-Vivemos numa vida sem tempo ! Áudios acelerados, leitura dinâmica, métodos ágeis, interações curtas, entregas constantes, vidas atribuladas e mais um dia se foi !
sábado, outubro 16, 2021
O país que parece que não é
sábado, abril 03, 2021
Ditadura nunca mais
Usar do artifício de uma ditadura ou de uma autocracia (mesmo que democrática) é atestar nossa incompetência em resolver os problemas na base do diálogo. Sim, dialogar é muito mais difícil porém é a coisa certa a se fazer.
Regimes totalitários nos dão a impressão de que quando chegamos a um nível crítico de caos, só a força impõe a ordem. Esse expediente deve ser uma opção sim ... a última! E com um caminho muito bem definido sob a forma da Lei. Regimes assim incutem no subconsciente humano de que a força se sobrepõe à razão, isso gera desde extrapolação dos limites da lei, por quem deveria cuidar dela e até justificativas para a violência doméstica.
Regimes totalitários impactam uma característica essencial do Ser Humano, a de se contrapor, a de se refletir no oposto a de deixar um amplo e fértil campo de pensamentos disponível para a livre escolha.
Regimes totalitários são a celebração do rompimento com a democracia e o Estado de Direito. É renegar a inteligência humana a um segundo nível, é limitar os pensamentos a uma ou outra teoria. Existem convicções, existem valores morais e essas coisas devem ser priorizadas em relação a tremores repentinos e temporários de uma política de Estado. Esses valores nunca devem ser violados pois viola-se assim a essência humana que nos diferencia do resto do mundo animal.
Não falo mal de uma ditadura de direita ou de esquerda ... a cabeça é redonda para permitir ao pensamento, mudar de direção então pouco importa de que lado esteja o totalitarismo, ele causa mal para ambos os lados da nossa massa encefálica.
sábado, julho 18, 2020
Presunção humana
quinta-feira, abril 30, 2020
Achados de uma pandemia
Pessoas que não moram, que acreditam que viver numa favela é algo vetado para eles, pois não tem renda, não tem meios de sobrevivência, não tem credo ou religião, que estão na subvivência e que aceitam isso. Dalits brasileiros, excluídos da sociedade, sem nome na certidão, sem identidade pessoas sem uma vida de verdade. Pois o entendimento do que seria vida passa pelo entendimento do que viemos fazer aqui, se for simplesmente nascer, morrer, procriar e crescer sim .... são seres vivos, porém se ampliarmos um pouco esse baixíssimo espectro e elevarmos ele para minimamente se desenvolver, não damos condições nenhumas para que essas pessoas possam viver. Criamos, diantes de nossos olhos uma horda de zumbis! Sem lar, sem ler, sem saúde ou orgulho só tem um destino e uma certeza ... terminarão em cova rasa sem nunca terem existido. São o resto...
Entender o que devemos fazer por essas pessoas passa pelo entendimento que tenhamos pela vida e pela humanidade, o que se esperar delas. Que as vidas sejam vazias a ponto de trocarmos os cuidados a seres humanos iguais a nós por um gagget ou pet qualquer ?
Pessoas que carregam no estomago seus objetivos de um dia, da vida inteira, que tem a fome na frente da moral, uma poluíção social que não aparecem nas fotos, são escondidos das festas e dos paraísos de cartão postal. Sem dignidade sem teto pra morar nem por isso deixam de ser Humanos e brasileiros tão fortes e resistentes quanto nós. As ONGs pouco fazem pois não são organizados, são dispersos, pingados. Eis que se abre agora uma oportunidade de descobrí-losem meio a uma tempestada pandêmica, como um furacão que revolve a areia da praia, que tira a espuma do mar bonito para que encontremos tesouros perdidos na praia. Sim, eles são tesouros, uma forma de redenção ... não a deles, a nossa! Temos que exterminá-los, mas não os matando... os incluindo! Elevando suas perspectivas, fazendo seu pesadelo acabar e que continuem sendo erráticos mas nunca os esquecidos na multidão.
Podemos pensar que são filhos da miséria e cujo castigo é viver ... mas miséria de quem ? Numa sociedade que só pensa no dinheiro é simples deduzir que a miséria é deles porém se elevarmos noss pensamento para a miséria humana podemos também concluir sob outro ponto de vista que existe muita miséria humana e nesse caso a miséria é nossa e não de quem não tem perspectivas para sair do lugar. Uma vez que eles precisam de tudo e não lhes damos nada e isso inclui muito mais que dinheiro ou meios de sobrevivencia. Não lhes damos nem um olhar, não lhes estendemos um braço, um afeto, uma chance. Se já nascem fracassados, não foram eles que fracassaram, não são batizados, não são vacinados ... vão morrer e ninguém vai se importar, uns vão ter um alívio de um problema resolvido.
Ledo engano o problema real vive dentro de nós ! Mais um problema que deve ser descoberto dentro de uma pandemia.
quinta-feira, abril 23, 2020
Quarentena
Um silêncio tamanho, nos lembra a morte.
O movimento da rua é um carro ao longe.
O tudo, parece virar um nada.
Não se ouve alma viva...
Não há grito de gol no espaço...
A respiração ofegante é abafada por uma máscara
Parece fábula.
Mas é a vida ... histérica se tornando dramática
Seguimos uma vida cheia de vazios
Trancados dentro de casa
Não há briga
Não há comemoração
Só incertezas no ar ... e um vírus que nos quer calar.
Abafados ..
Diante de tão pouco, vemos o quanto somos nada.
A mercê de algo que não vemos, uma nova semana começa
Com as velhas rotinas, egoísmos,
A luxúria do mundo e ...
Os desvalidos.
Não há tempo para tão pouco
É preciso abrir os braços sem dar abraços
Falar sem cair nas discussões terrenas
Precisamos ver o mundo com outros olhos
Ver que pequenos problemas podem ser desesperadores
Quando na abundância do ar, não podemos respirar
O mundo nos sufoca
A miséria nos torna ausentes
Carentes ... de uma forma de humanidade
Sem que ninguém se altere
Esperanças brotam do nada
Um braço estendido no meio da rua
Pede comida.... pede sabão
Pede um olhar
Mas tudo é em vão
Novas vidas são perdidas
Velhos sonhos são descartados
Não temos respostas
Temos uma vida inteira que repousa
Silêncios preenchendo sonhos
Mentiras corrompendo a vida
Que carece fugir da realidade.
quinta-feira, dezembro 05, 2019
Particularidades dos holocaustos
O caso mais famoso é o de Anne Frank, existem outros tantos, existem relatos de superação, de coragem, de covardia, de medo, de dor, de perda .. muitos poucos de esperança. A ótica que retratou a guerra durante muitos anos foi a de movimentos grandiosos de guerra, aos poucos foram aparecendo as pequenas histórias da particularidade de cada família, de cada pessoa, casos como o de Anne Frank, Lili Jaffe, Adolpho Block, Miriam Ziegler, Sam Piviniki e outros tantos mostram famílias despedaçadas, parentes brutalmente separados e um enorme buraco que deixou milhares de humanos, sem pátria, sem chão e sem sentido de vida. Muitos dos relatos dos sobreviventes nos levam a um sentido mínimo de Humanidade e dignidade que se não lhes dava esperança ... minimamente os faziam sobreviver mesmo que instintivamente e daí encontravam forças para reagir a morte.
Existiam centenas de campos de concentração, alguns deles também eram de extermínio, Auschwitz era o maior deles, mas olhar a História só por essa visão bem particular é fechar os olhos pelo que acontecia em Sobibor, Treblinka, Lwow ... a forma de olhar a História pode mudar em muito o nosso sentimento pelas coisas que aconteceram, nos colocar em sintonia pelo que uma pessoa passou naqueles momentos pode nos dar a real condição de vida e sobrevivência. Transformar nosso conhecimento em sentimento e daí a importância de não se fazer esquecer para não repetir.
Da mesma forma que o termo holocausto nos faz pensar só em extermínio de judeus na segunda guerra é bom deixar claro que até nesse termo acabamos escondendo particularidades que semântica nos dá .. se pensarmos que o termo HOLOCAUSTO vem do grego para representar a queimar todos e exterminar podemos traçar paralelos, não em números, mas em sofrimento com outros momentos da história, nem é preciso recorrer à Roma antiga, Gengis Kan, Inquisição, os Incas, as Guerras Guaraníticas, a Primeira Guerra Mundial, o Extermínio de Pol Pot, o genocídio Armênio, os expurgos Stalinistas, Mianmar, o Estado Islâmico, a Bósnia, o Sudão do Sul ou os Pogroms. Existem genocídios bem perto de nós, na nossa história recente como a Guerra da Tríplice Aliança dizimando o Paraguai, o extermínio em massa de Canudos, o Contestado, o hospício de Barbacena, as prisões do Estado Novo.
Matar, torturar, exterminar sistematicamente pessoas tendo como motivação eliminar as diferenças de nacionalidade, raça, religião e etnia são coisas prometemos nunca mais ver, depois de vermos o holocausto nazista, mas que continuam por aí como se ninguém olhasse para a particularidade deles e o ódio que os cria.
quarta-feira, outubro 09, 2019
Coringa um filme necessário para dizer que o Ser humano não é tão perfeito quanto a sociedade impõe ...
Bem ... o personagem é pop mas nasceu bem antes dos quadrinhos da Marvel, numa inspiração melodramática de Vitor Hugo (O Homem que Ri). A partir de origens diversas o vilão desse filme tem uma história sofrida, quase que comovendo o público a torcer pelo vilão. Apesar do personagem nos fazer imaginar uma comédia com seus atos, a trama psicológica é triste, sua risada insana... nada tem de engraçada mas é um distúrbio patológico muito mais associado a depressão após um trauma físico. No transtorno da expressão emocional involuntária, as crises de choro e/ou riso, além de serem incontroláveis, tendem a ser desproporcionais ao estímulo recebido, podendo estar completamente dissociada do estado de humor do paciente ou mesmo ser contraditória ao contexto no qual o estímulo está inserido. Tipo quando o público faz, quando um anão tenta sair da cena de um crime brutal do filme com o sangue respingado pelo cenário. Se o público acha graça em algum momento do filme ... por uma piada infeliz, uma risada contagiante, mesmo que desesperadora, é porque precisa apontar o dedo para si e questionar como somos capazes de não conseguir controlar nosso sistema sensível diante de uma narrativa tão perturbadora.
Um homem adulto que vive a cuidar da mãe nos parece uma boa pessoa, mas não é! Num tempo em que vivemos de falar de propósitos de vida, o dele é " trazer risos e alegria ao mundo" .... mas não é bem assim que a trama ocorre! Porque as oportunidades da vida nem sempre são as que persistimos em seguir obcecadamente. Não é porque a sociedade nos tenta enfiar, goela abaixo o positivismo, a alta performance e o bem estar constante das redes sociais que seremos assim. É impossível ser feliz sempre, ter consciência de que o Ser Humano é falho e que por isso somos igualmente falhos nos dá um conforto ao errar e um ânimo a mais para consertar. A tristeza é algo que o mundo tenta sufocar para manter uma felicidade difícil de se sustentar na eloquência das horas vividas entre no nosso ego e as nossas almas.
Não são poucos os que tem transtornos mentais, menos ainda são aqueles que por um momento da vida passaram por momentos de descompressão emocional, dramas psicológicos que sufocam os sentimento e acabam por sufocar a si mesmos, como um homem que quer conter o riso quando só pensa em chorar. Em certo momento do filme existe uma citação bastante reflexiva: " A pior parte de ter uma doença mental é que as pessoas esperam que vocês se comporte como se não tivesse", isso é a demonstração de como não estamos preparados para conviver em sociedade com pessoas com esses transtornos, por séculos colocávamos esses doentes em reclusão, em condições físicas cruéis e pouco humanitárias. O Brasil tem a casa de genocídio de Barbacena, Os Estados Unidos o Athem Lunatic Asylum, a Austrália a Inglaterra tem os seus. Sempre tentando proteger a sociedade de transtornos mentais, mas também dos veteranos de guerra, dos homossexuais, das prostitutas, dos infiéis matrimoniais, dos pecadores da Igreja e etc.
Num tempo em que uma das maiores causas de afastamento profissional sejam fatores psicológicos, num tempo de Prozac e Fluoxicitina curando bullying, a sociedade ainda cobra o sorriso, a alegria de um almoço de domingo, a heterossexualidade, a crença religiosa, a saúde física, a aceitação o tempo todo, a magreza, o vestido da moda, a certificação profissional ... Nos levam a ser cada vez mais o que exigem e cada vez menos em nossa essência. Na imaginosa Gotham City isso leva ao caos dos oprimidos diante da crise higiênica e dos serviços públicos, daí para a onde de violência é um passo, como animais encarcerados matam-se os semelhantes e o líder de todo o movimento é sem querer,o Coringa. Mesmo vilão, gera empatia por, como os demais, ser desassistido por uma sociedade corrupta, hipócrita e delirante. Que sofrem a violência da maldade explícita mas também aquele sutil, escondida em pequenos atos, palavras e julgamentos.
Existem várias maneiras de sair desse cinema ... simplesmente frios diante de um filme de ficção, assombrado, exitado com os atos de violência, pensando nas reações de um agredido diante de seus agressores ou com uma necessidade de olhar o mundo e a si mesmo com mais sensibilidade, compaixão e pensando na frase do Coringa:
"Sou eu ou o mundo que está ficando mais louco?"
Alguns números do terror:
60.000 mortos no manicômio de Barbacena (entre mulheres adúlteras, presos políticos, infiéis religiosos).
3.000 castrados no Topeka State Hospital do Kansas (entre epiléticos, "bobos", crimonosos leves).
2.600 paciente no Danvers State Hospital que comportava 600.
9.000 mortos no Beechwort Lunatc Asylum (sem diagnóstico de loucura).
800 infectados propositalmente com Hepatite B no Willowbrook State Hospital.
2.400 pacientes no Trans-Allegheny Lunac Asylum que comportava 250 pacientes.
3.393 afastamentos do trabalho no Brasil em 2016 por depressão
Todos tem histórico de abusos sexuais, maus tratos e tortura!
.... e a velha tia segue feliz para a missa de domingo depois de ter sossego por internar o sobrinho homossexual numa casa de cuidados mentais do governo...
segunda-feira, setembro 09, 2019
O Despreparo da geração mais preparada
Podem rotular como quiser ... geração X, Y, Millennials, alfa .... mas existe uma geração de jovens, que há pouco tornaram-se adultos que são a geração mais preparada em termos de escolaridade, acesso a informação, conhecimento tecnológico, visão , cultura e convívio com o conforto. Serão nossos futuros líderes, foram preparados para assumir o mundo, falam três idiomas, usam computadores, tem facilidade com a internet, experiencia internacional e fazem coisas que nem precisam mais fazer como cozinhar e dirigir. Suas habilidades saltam aos olhos e a princípio serão eles os responsáveis por uma das maiores transformações que a humanidade vai dar, um salto nas relações de trabalho, de consumo com o uso da tecnologia. Além disso, eles assumem sem problemas essa responsabilidade de conduzir as grandes corporações, inovar em pequenas empresas, em fazer lucro e em pensar numa sociedade mais igualitária e inclusiva.
A nova geração conhece o mundo em viagens protegidas, é despreparada para o sentir e o saber pensar, desconhece a fragilidade da matéria da vida e aí quando se apercebe vai sofrendo, e sofrendo muito quando nota que nasceu com a felicidade e que ela não nos acompanha a vida inteira, pensam que já nasceram prontos . E não foi ensinada a criar a partir da dor, que cresceu com a ilusão de que a vida é fácil, que nasceram já com uma genialidade embutida e que falta apenas ao mundo reconhecer essa genialidade. Aí eles chegam no mercado de trabalho achando que estão em suas casa, fazendo as coisas nas horas que lhes cabe, tendo chefes complacentes e esperando premiações que os estimule como num jogo de vídeo game. Como os prêmios nem sempre vem .... se deprimem, desistem ... até se darem conta que a vida é para os insistentes, que precisam se reerguer das derrotas.
Como educar nossa próxima geração a poder conviver com as derrotas? Será que é dando mais proteção, afago quando o "NÃO" é forte demais para eles, ou lhes dando maconha para fugir da realidade? A solução pode estar em, desde cedo, mostrar que a vida é uma construção que felicidade não é um direito mas uma conquista, que para chegar à ela temos muitos deveres, esforços e derrotas pela frente, que a vida é uma evolução muito maior que o diploma, o trabalho e a informação. Temos que mostrar que boa parte da felicidade não se compra, que filhos não devem ser dívidas que os seus pais tem que pagar e se frustrar quando atrasam alguma parcela. Temos que educar para que as crianças pensem, sintam o que aprendem e não se frustrem com suas decepções, pois daí pode vir o ânimo para começar de novo. Frustração não é fracasso!
A sociedade parece vangloriar mais o cara genial que não estudou mas passou para medicina do que a menina que se esforçou e passou raspando, o conceito de esforço parece que é valorizada só por pobre. A médica que estudou nos melhores colégios e tem um carro é bem sucedida, o cara que se esforçou para mudar de classe social sem ter equidade e que precisa pegar o ônibus todo o dia pra sustentar a família é um derrotado. Ambos tiveram suas conquistas, existem méritos e mercados para ambos mas o grau de percepção às derrotas de ambos será completamente diferente.
As redes sociais não dão espaço para as tristezas, a vida pré moldada e os almoços de domingo também não, o desabafo passou a ser encarado como derrota, os problemas como fracassos e o mundo belo que pintamos nas redes não é assim. Felicidade é um imperativo! Então como se abrir expondo aos nosso pais as nossas angústias? Vivemos num mundo onde os problemas são sufocados e não resolvidos, onde as doenças psicossomáticas partem do princípio de que é importante parar de chorar e seguir em frente. Ouvir isso num momento de fraqueza oprime, deprime...
As relações familiares foram construídas blindando-se filhos dos problemas, dos esforços e eles só participam das conquistas. Quando se tocam que a vida não é assim, decretam a falência do projeto familiar veem que foram moldados num mundo de ilusão e a solução mais fácil é procurar um médico e começar com os antidepressivos.
Quando um projeto de vida vira fumaça, ficar sem chão é a próxima etapa, sentir a fragilidade humana nos espanta e daí para a depressão é um pulo ! O que fazer para cortar esses ciclos ? Deixar consumir todo o processo depressivo, cortar esse ciclo no meio? Identificar o que poderiam ser os impulsos para mudar ou acelerar o processo natural ? É muito difícil ter a resposta certa quando um ciclo de decepção inicia. Muitos, como numa cartasse vivem todos os seus momentos, de ira, silêncio, desorientação, esperança e reconstrução. Outros procuram fugas paliativas. Cada um tem uma forma de lidar com o seu drama e partem de algum ponto do seu autoconhecimento, quanto melhor se conhecer, mais apto estará para lidar com os problemas. Se tiver um norte, um propósito de vida, mais rápido voltará para o rumo dele, então educar nossas crianças a se entender na sua individualidade, tanto para aprender a pensar e lidar consigo mesmo, quanto para resolver seus próprios problemas pode ser uma chave para que tenham mais confiança na vida adulta.
Deixar nossos filhos viverem com algumas dúvidas e fazer as próprias escolhas não é o fim do mundo, vai cultivar neles a responsabilidade de lidar com causas e consequências. Isso é tão importante quanto uma boa escola, um curso de inglês ... um celular. Eles devem saber que podem sempre contar com os pais mas que eles mesmos devem se virar para enfrentar a vida.
segunda-feira, agosto 12, 2019
No nosso longo caminhar
Sem mais nem menos
No tempo ideal, na medida mais certa
No sol e na chuva, com roupa e sem ela
Te amo como todas as pétalas amam a rosa
Como todos os frutos amam a terra
Como as estrelas amam ao céu
E como as ondas amam o mar
Esse amor é parte da vida presente
Vida completada por você
Amor incondicional, mas que se pode guardar
Na palavra incontida, no olhar apaixonado
Na simplicidade dos fatos
No entrelaçar de dedos diante dos atos
No nosso longo caminhar.
quinta-feira, julho 25, 2019
A história do fim da ideologia
O final da década de 80 foi chegando e a vida foi perdendo a cor no mundo inteiro. Um impacto direto da derrocada comunista sem essencialmente haver uma vitória real do capitalismo, as ditaduras latinas cederam o poder para governos democráticos imersos em problemas sócio econômicos sérios enquanto uma dezenas de países europeus estavam reconstruindo suas economias e tentando se encontrar ideologicamente. Cazuza retratou bem esse momento de frustração geral no seu álbum Ideologia, onde a capa mostrava uma miríade de símbolos antagônicos entre si.
Em meio a isso um sujeito chamado Lula que representava um partido trabalhista essencialmente sindical se lançava candidato a presidência do Brasil. Uma década se passou e seu discurso foi ficando vazio mas sua persistência o fez aparar a barba, atenuar a fala, melhorar o terno, alinha seu discurso com os dos seus inimigos e .... substituir o furor do idealismo político pelo estratégico marketing eleitoral. Quando ganhou sua eleição, já estava distante daquele líder sindical de outrora.
Começou então a andar com quem não devia, fazer o que não lhe condizia, renegar a sua ideologia, aos poucos foi se perpetuando no poder, somente para governar... era o poder pelo poder. Emplacou releição, criou artificialmente uma candidata substitua a ele e viu seu poder ruir sem uma ideologia para lhe sustentar. Os desejos dos partidos seguiam a política do toma lá, dá cá criada pela política dos governadores há 100 ano atrás e alimentada pelos mensalinhos da política nacional.
Surgiu então a direita, alimentando-se de uma ideologia de fake news, simplificando o debate político numa briga de Fla X Flu e alimentando a fúria bélica dos certos contra os errados, os vermelhos comunistas contra os brasileiros nacionalistas. Discursos viraram tweets, bom senso virou ... virou ... não, o bom senso se perdeu! Fomos criando uma dificuldade de lidar com quem pensa diferente, perdemos a autocrítica e o debate de alto nível de outrora foi trocado pelos Memes de internet.
Nesse caminho perigoso de radicalismos extremos de parte a parte, professores não se dão o respeito, alunos os gravam em sala de aula para intimidar, caçamos bruxas como no Macarthismo, abrimos caminho para uma Revolução Cultural ao estilo chines e a uma Jihad evangélica. As instituições vão entrando em colapso, esvaziamos a autoridade de quem as tem ... no meio dessa bipolaridade social doutrinamos sem ideologia e sem idéias, sem construção mas baseadas no fato de ser contrários aos outros, perdemos nossa identidade, e com isso vamos perdendo por quem lutar como se perde o orgulho de uma vitória ou o sabor do aprendizado de uma derrota, como lágrimas que se perdem no meio da chuva. Vida humana no meio do nada....



