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quarta-feira, julho 23, 2025

Você é o que sonhou?

Dar certo na vida. O que isso significa, afinal?
Para muitos, é sinônimo de status, conquistas, posses, uma carreira sólida, uma agenda cheia, um perfil que impressiona.
Mas essa definição quase sempre vem de fora — expectativas sociais, padrões impostos, comparações sem fim.

E se mudássemos o foco?
Em vez de olhar para o olhar do outro, que tal olhar para dentro?
Perguntar, com coragem e ternura:
A criança que eu fui teria orgulho do adulto que sou hoje?

A primeira vez que me deparei com essa reflexão estava num momento difícil da vida, tinha conquistado tudo e por fim estava numa cama sem ter absolutamente nada, carreia em transformação filhos longe, amor perdido, dívidas ... e tudo o que conquistei sendo uma pessoa boa? E os amigos que fiz, naturalmente, preocupados com as próprias vidas. Quem poderia me ajudar? Sem ter algo para enfeitar as paredes brancas de um quarto vazio.... encontrei um velho retrato meu de criança e me olhar todo o dia ... o orgulho do que fui perceber que qualquer quer fosse a saída para minha situação, ela estaria dentro de mim mesmo.


Lembrei desse poema do Fernando Pessoa:


A criança que fui chora na estrada.
Deixei-a ali quando vim ser quem sou;
Mas hoje, vendo que o que sou é nada,
Quero ir buscar quem fui onde ficou.

Ah, como hei-de encontrá-lo? Quem errou
A vinda tem a regressão errada.
Já não sei de onde vim nem onde estou.
De o não saber, minha alma está parada.

Se ao menos atingir neste lugar
Um alto monte, de onde possa enfim
O que esqueci, olhando-o, relembrar,

Na ausência, ao menos, saberei de mim,
E, ao ver-me tal qual fui ao longe, achar
Em mim um pouco de quando era assim.

Fernando Pessoa 

Aos poucos fui resgatando minha essência, o sorriso e inocência que sempre tive, parei de me culpar pelo que não fiz, descobri que muitos dos erros não estavam realmente em mim, mas que tinha me perdido no emaranhado da vida.

Criança não valoriza cargo nem currículo. Ela quer leveza, verdade, afeto, liberdade. Ela acredita no impossível, faz amigos em minutos, chora sem medo e sonha sem limites. A alma infantil não está preocupada com aparências — ela se importa com sensações. Com a alegria genuína, com o brilho nos olhos, com a aventura do simples.

E você? Será que hoje você ainda ri como antes? Você ainda se emociona com uma música, com um pôr do sol, com uma conversa despretensiosa? Ainda se permite errar e recomeçar?

Dar certo na vida pode ser, sim, conquistar grandes coisas.
Mas também pode ser manter a capacidade de sentir, de amar com inteireza, de brincar mesmo cansado, de cuidar do outro e de si. 
Talvez o sucesso seja simplesmente conseguir preservar a alma de criança em meio à dureza dos dias adultos.

quinta-feira, julho 03, 2025

Tudo vai

Os minutos passam e a gente não sente, quando percebemos passaram os minutos, as horas ...

Os dias vão se acumulando em pequenos sentimentos de uma vida frívola e frágil.

Semanas vão passando, quando olhamos, já são meses e o ano surpreendentemente acabou.

O ano que começou depois do carnaval passa pelo interminável agosto onde aguardamos ansiosos pelas festas de fim de ano.

O frisson toma conta de nós e contamos os dias para ver mais um ano se acumular em nossas vidas.

 Os anos passam e a gente não sente 

Sentimos a ausência de um ente querido

Sentimos o que dói a alma 

O que cala a voz

O que estremece o corpo

Quando damos por nós, nossos cabelos caíram

Nossa flexibilidade foi embora 

E o que fica são grandes sentimentos, saudades, gratidões

Um olhar pra trás com orgulho e uma vontade de ficar mais um pouquinho pelo mundo.

Quando somos jovens não temos a sabedoria de ver o tempo passar e temos pressa.

Quando somos velhos temos pouco tempo .... e nem por isso temos pressa

Descobrimos que sentir com calma a vida e ver tudo o que passa por nós nos ajuda a pegar um pouco mais do que a vida nos traz.

E um dia tudo se acaba ... não passa mais.

O tempo segue e a vida para.

nos ajuda a pegar

segunda-feira, outubro 10, 2022

O amor começa num chute

  Não sou mãe ...pela ótica de pai não sei ao certo quando começa o amor pelos filhos, não sei se é no sonho de menino de um dia tê-los, não sei se é no momento em que o sonho se realiza em ouvir que o exame deu positivo, obviamente isso vai variar de pessoa para pessoa. Comigo o momento forte não foi quando eu sonhei, quando eu realizei .. mas foi quando eu concretizei! E não foi quando eu vi ali aquele meninão saindo da barriga da mãe. As preocupações foram tantas que, quando eu soube pelo telefone que o tal exame tinha dado positivo, tive um misto de alegria, amor mas o meu caráter planejador sabia que minha vida viraria de cabeça pra baixo e que a responsabilidade da vida tinha batido em minha porta. Aí vieram os nove meses de transformação, no corpo e na alma da mãe... e no meu espírito, sabia que o legado que eu estava preparando teria enfim um herdeiro a se inspirar nos meus passos. Acompanhar ressonâncias, sentir ele chutando a barriga da mãe (sim, esse é o chute que me referia no título), ou ver o parto não fizeram a minha ficha cair. Eu sempre precisei ficar sozinho para me encontrar em mim mesmo e digerir as emoções, os pensamentos e concretizar as minhas conquistas internamente. Lembro bem do dia ... 24 de abril de 2006, madrugada.. ele dormia calmamente num carrinho do berçario de número 007 eu olhava abobalhado aquela criancinha tão perfeitinha e tão frágil em seus primeiros momentos de vida (afinal quando a vida começa?!?!?), olhei o sol nascendo, sim ... como aquele menino o sol nascia como todos os dias, mas naquele dia nascia pela primeira vez pra ele, ia formando uma cor deslumbrante no céu, a mãe dormia cansada... e ali estava eu, sozinho... eu e ele! Quem fazia companhia para a minha solidão era o fruto de um momento de amor por outra pessoa. Peguei eles nos braços, uma lágrima escorreu dos meus olhos, em silencio, levei ele pela janela e o apresentei para a vida! Veja o seu mundo ! Sussurrei no seu ouvido .... estava começando ali um outro ato de amor.

O segundo filho veio em momento atribulado da minha vida, a ficha com ele deve ter demorado alguns meses mais a cair, quando eu percebi já estava amando aquela criancinha barulhenta de uma forma que transbordava a alma, não me recordava do exato momento em que esse amor veio e depois fui percebendo que era um amor bem mais suave e maduro, não brotou de uma vez só, era um amor que já existia mas que me fez acordar da letargia quando a mãe possivelmente fez brotar o amor dela por ele. Ali eu percebi que os homens só nascem de verdade para a vida quando tornam-se pais, e renascem quando vem os outros filhos. Sempre fui pai .. desde criança os filhos já estavam presentes na minha vida, nos meus sonhos, no meu destino, faltava concretizar. Se mães são como eu e precisam estar sozinhas e sentir a concretização daquilo que está acontecendo com a vida dela, essa concretização vem num chute que dão dentro da sua barriga  (e eu não faço ideia da sensação que pode ter isso !!) Ali pela primeira vez a mãe sente a força do que carrega dentro de seu ventre, ali deve brotar o amor que vai carregar até os últimos dias da sua vida. 

Eu posso estar sendo machista ou falando de um assunto que desconheço que  não me compete, porém é algo que sinto no peito que eu pude sentir sendo pai. Um sentimento que pode até ser imperfeito mas o que é uma imperfeição ... se a perfeição da vida está em entender as imperfeições dela ?

segunda-feira, setembro 09, 2019

O Despreparo da geração mais preparada

 Podem rotular como quiser ... geração X, Y, Millennials, alfa .... mas existe uma geração de jovens, que há pouco tornaram-se adultos que são a geração mais preparada em termos de escolaridade, acesso a informação, conhecimento tecnológico, visão , cultura e convívio com o conforto. Serão nossos futuros líderes, foram preparados para assumir o mundo, falam três idiomas, usam computadores, tem facilidade com a internet, experiencia internacional e fazem coisas que nem precisam mais fazer como cozinhar e dirigir. Suas habilidades saltam aos olhos e a princípio serão eles os responsáveis por uma das maiores transformações que a humanidade vai dar, um salto nas relações de trabalho, de consumo com o uso da tecnologia. Além disso, eles assumem sem problemas essa responsabilidade de conduzir as grandes corporações, inovar em pequenas empresas, em fazer lucro e em pensar numa sociedade mais igualitária e inclusiva. 


A crença de que a felicidade é um direito e a falta de preparo para lidar com as frustrações pode botar tudo a perder, se precisarmos de um indício de que isso já ocorre é só olhar o aumento das taxas de suicídios, depressões, vendas de Prozac e problemas psicológicos que o mundo espera para os próximos anos, uma tendência que será amenizada com os movimentos globais de liberalização da maconha (não estou expondo aqui minha opinião sobre se é certo ou errado, mas o movimento global já iniciou e pelo visto não terá volta!). Essa geração despreza o esforço sem resultados e foi a minha geração (seus pais) que incutiu a cultura do menor esforço na cabeça deles. E mesmo que tenha esforço sem resultado, fomos acostumando a dar uma premiação. Fomos premiando tudo , dando tudo ... oferecendo muito mais "sins" do que "nãos". 

A nova geração conhece o mundo em viagens protegidas, é despreparada para o sentir e o saber pensar, desconhece a fragilidade da matéria da vida e aí quando se apercebe vai sofrendo, e sofrendo muito quando nota que nasceu com a felicidade e que ela não nos acompanha a vida inteira, pensam que já nasceram prontos . E não foi ensinada a criar a partir da dor, que cresceu com a ilusão de que a vida é fácil, que nasceram já com uma genialidade embutida e que falta apenas ao mundo reconhecer essa genialidade. Aí eles chegam no mercado de trabalho achando que estão em suas casa, fazendo as coisas nas horas que lhes cabe, tendo chefes complacentes e esperando premiações que os estimule como num jogo de vídeo game. Como os prêmios nem sempre vem .... se deprimem, desistem ... até se darem conta que a vida é para os insistentes, que precisam se reerguer das derrotas.

Como educar nossa próxima geração a poder conviver com as derrotas? Será que é dando mais proteção, afago quando o "NÃO" é forte demais para eles, ou lhes dando maconha para fugir da realidade? A solução pode estar em, desde cedo, mostrar que a vida é uma construção que felicidade não é um direito mas uma conquista, que para chegar à ela temos muitos deveres, esforços e derrotas pela frente, que a vida é uma evolução muito maior que o diploma, o trabalho e a informação. Temos que mostrar que boa parte da felicidade não se compra, que filhos não devem ser dívidas que os seus pais tem que pagar e se frustrar quando atrasam alguma parcela. Temos que educar para que as crianças pensem, sintam o que aprendem e não se frustrem com suas decepções, pois daí pode vir o ânimo para começar de novo. Frustração não é fracasso!

A sociedade parece vangloriar mais o cara genial que não estudou mas passou para medicina do que a menina que se esforçou e passou raspando, o conceito de esforço parece que é valorizada só por pobre. A médica que estudou nos melhores colégios e tem um carro é bem sucedida, o cara que se esforçou para mudar de classe social sem ter equidade e que precisa pegar o ônibus todo o dia pra sustentar a família é um derrotado. Ambos tiveram suas conquistas, existem méritos e mercados para ambos mas o grau de percepção às derrotas de ambos será completamente diferente.

As redes sociais não dão espaço para as tristezas, a vida pré moldada e os almoços de domingo também não, o desabafo passou a ser encarado como derrota, os problemas como fracassos e o mundo belo que pintamos nas redes não é assim. Felicidade é um imperativo! Então como se abrir expondo aos nosso pais as nossas angústias? Vivemos num mundo onde os problemas são sufocados e não resolvidos, onde as doenças psicossomáticas partem do princípio de que é importante parar de chorar e seguir em frente. Ouvir isso num momento de fraqueza oprime, deprime...

As relações familiares foram construídas blindando-se filhos dos problemas, dos esforços e eles só participam das conquistas. Quando se tocam que a vida não é assim, decretam a falência do projeto familiar veem que foram moldados num mundo de ilusão e a solução mais fácil é procurar um médico e começar com os antidepressivos.

Quando um projeto de vida vira fumaça, ficar sem chão é a próxima etapa, sentir a fragilidade humana nos espanta e daí para a depressão é um pulo ! O que fazer para cortar esses ciclos ? Deixar consumir todo o processo depressivo, cortar esse ciclo no meio? Identificar o que poderiam ser os impulsos para mudar ou acelerar o processo natural ? É muito difícil ter a resposta certa quando um ciclo de decepção inicia. Muitos, como numa cartasse vivem todos os seus momentos, de ira, silêncio, desorientação, esperança e reconstrução. Outros procuram fugas paliativas. Cada um tem uma forma de lidar com o seu drama e partem de algum ponto do seu autoconhecimento, quanto melhor se conhecer, mais apto estará para lidar com os problemas. Se tiver um norte, um propósito de vida, mais rápido voltará para o rumo dele, então educar nossas crianças a se entender na sua individualidade, tanto para aprender a pensar e lidar consigo mesmo, quanto para resolver seus próprios problemas pode ser uma chave para que tenham mais confiança na vida adulta.

Deixar nossos filhos viverem com algumas dúvidas e fazer as próprias escolhas não é o fim do mundo, vai cultivar neles a responsabilidade de lidar com causas e consequências. Isso é tão importante quanto uma boa escola, um curso de inglês ... um celular. Eles devem saber que podem sempre contar com os pais mas que eles mesmos devem se virar para enfrentar a vida.

quarta-feira, julho 03, 2019

Não aprendi dizer adeus

Não aprendi dizer adeus;
Mas certas coisas no mundo não se aprendem... se encontram e foi exatamente por encontros que estamos aqui chorando por dentro para nos separar. 
Veja que foi muito melhor que um desencontro, onde não teríamos nem a oportunidade de chorar.
Nunca dizemos adeus de verdade porque quando as almas se encontram ficam marcadas para sempre umas nas outras.
Essa marca é criada quando se tem um relacionamento forte o suficiente para mudar de alguma forma nosso jeito de pensar, nossos valores, nossos corações.
Todos os humanos são irmãos e por não compreender isso desperdiçamos as oportunidades da vida, desperdiçamos a própria vida.
Temos toda a nossa existência para travar esses encontros então siga bem devargar com a vida porque temos pressa, não perca tempo pensando que não tem tempo! Busque o seu próprio tempo e viva com intensidade tudo que possa um dia virar a despedida de um encontro.
A pressa é a negação do tempo, e se o tempo é vida ... ter pressa é não sentir o pulso da vida. Tempo que se vai é vida que se perde. Não perca ele ... mas vá ... bem devagar! Encontrando o que tem de vida por aí.
Nosso futuro depende  do que fazemos hoje e por isso temos sempre que buscar fazer o melhor e isso inclui: nossas escolhas, nossas atitudes ... e nossos encontros (e despedidas). Quando for dizer adeus pense nos tantos encontros que não aconteceram e seja grato pelos que teve.
Quanto mais gratidão experimente o homem pelo passado, quanto mais gratidão guarde pelas horas felizes vividas nele assim como pelas lutas e pela dor que sempre são instrutivas.. tanto mais se abrirá a sua vida a novas e maiores perspectivas de realização.
E onde quer que você vá ... vá para brilhar! Vá, para mesmo que de longe, eu possa te enxergar, leva o coração feliz ! Fiel com si mesmo e com seus propósitos. São eles me ligam a você, não podemos perder isso! O que nos separa não pode destruir o que nos une.
As coisas se transformam: num dia um oi ... num outro um adeus! Que nos transformemos então, um Ser renovado a cada dia ... que não precisa dar adeus para aquele Ser que você foi ontem, guardando, dentro de si, encontros e despedidas sem perder os laços, os elos. 
E muitas vezes não conseguimos dar atenção ao que é básico e necessário nessa vida, muitos se perderam pelo caminho simplesmente porque estiveram envolvidos com os seus problemas.
Problemas se resolvem e damos adeus a eles ! A vida nunca deve ser colocada dentro dos problemas, mas os problemas sim devem entrar na nossa vida, para podermos tirá-los ... 
Vai ... vai logo com Fé no que se faz ! Fé no que se é .... Fé no que queremos ser ! Fé não é simplesmente acreditar no que queremos para nós, é tornar esse querer uma obstinação, um movimento que mova tudo a sua volta para conquistar.  Fé é sentimento aliado a atitude então vamos em frente porque chegou a hora de nos separar ... até breve ... até sempre ....

sábado, março 22, 2014

Dizer adeus aos nossos filhos

Em muitos momentos, dizer adeus aos nosso filhos é algo que nos corta o coração, é uma perda de sentimentos no momento em que temos que abdicar da presença deles. É assim num plano de ter um filho que não veio, numa separação conjugal, numa longa viagem e mesmo numa morte. Mas decerto que qualquer pessoa ao ler isso vai pensar logo, "mas os filhos não são nossos, são de Deus ... ". Existem momentos em que o adeus significa o impulso que damos aos nossos filhos para que alcem vôo e não nos abandonem mas que cresçam existe a viagem de estudos deles, os amigos que lhe tiram de casa para a farra, a namorada que ele ama mais que a nós mesmos, naquele momento não estamos abandonando ou sendo abandonados, nesses momentos todos estão crescendo como duas bolas de sabão que tem seus centros ficando distantes mas que permanecem juntas.
O adeus é sempre difícil, de se viver, de se entender o importante é deixar que a distância não signifique ausência e que o tempo presente possa valer memórias, saudades e que esses valores possam ser passados de gerações como uma forma de amor agregado para aqueles que sabem dizer um adeus com uma lágrima nos olhos e um peito estufado de orgulho pelo vôo dos nossos passarinhos.

terça-feira, outubro 01, 2013

O tempo de florir

Espalhamos com o vento 
A nobre semente do nosso amor
Sementes que o vento levou
De campos férteis a florir com o tempo
De firme coragem de resistir à dor
E o uivo do vento ecoou

Perpetuando nossa era
Com a chegada da primavera
Da primeira semente chegou um rebento
A segunda floriu com o tempo
E nosso campo esgotou
Das sementes do nosso amor

Mas campos floridos que sempre serão 
Eternos para a nossa inspiração
Coloridos ao raiar do dia
Na fertilidade que havia
Busco sementes para germinar
Com lágrimas do entardecer

E um dia hei de encontrar 
Campos férteis para florir
Depois das sementes ver partir

Como se parte um coração

domingo, setembro 15, 2013

Odeio noites de domingo

E agora fica o silêncio na sala, nesse momento prestamos atenção de que uma semana se foi, pouca coisa muda com o passar das horas e um período de renovação se faz, para se renovar basta ... dormir, mas o sono não vem. Então ligamos a TV a procura de diversão barata, tudo me enjoa porque o que realmente queria era o prazer da vida! Abro um vinho que aqui jaz junto com essas palavras e nada parece ser belo e constante, tento um rock, e me vem um jazz na cabeça, rebuscado, enamorado, enjoado. 
Dos sonhos que nascem primeiro, nos momentos iniciais de um sono, ficam no pesadelo e no espanto que me acorda repentinamente de cinco minutos de silêncio, pânico de um rufar de tambores dentro do meu peito, taquicardia de um  amor que havia, silêncio demais para poucas palavras, alguns gritos ecoam no ar, são meras lembranças de um passado recente, de um passado de horas que ficou no silêncio sem ter minhas crianças.


sexta-feira, janeiro 11, 2013

O sentido da vida

Não podemos dizer se a vida nos é curta ou longa, existem muitas pessoas que passam por ela sem nada ter deixado de legado, sem nada ter feito ou ter vivido. Longas idades com pouca vida.
Existe o contrário, relampagos que deixaram luz mesmo depois de se apagarem.
O sentido da vida está em tocar o coração das pessoas, olhar com perseverança o nosso futuro e dar uma palavra de carinho, um colo para acolher quem mais precisa e assim envolver em nossos braços todos àqueles que temos carinho. O sentido da vida está em esquecer as mágoas e tristezas do passado, é nos libertar de sentimentos ruins, perdoar. É dar uma palavra de conforto, ou fazer um silêncio que respeita. 
Viver é ter ao lado de uma lágrima que escorre, uma alegria que nos contagia. Viver com plenitude é ter um olhar que acaricia o ser, saciado pelos desejos que o amor promove.

Essa intensidade de vida é o que faz a vida ser intensa, verdadeira e pura ... além da nossa existência!

quarta-feira, dezembro 12, 2012

A cura para a dor é o amor.

Não pude ficar longe, não consegui evitar
Eu tinha esperança de que você me olhasse e se lembrasse
De que pra mim, não acabou


Não importa, se eu vou encontrar alguém como você
Não desejo nada além do melhor para você também
Te desejo a mim
O amor machuca 
O tempo voa
Ontem foi o melhor das nossas vidas
Hoje são só lembranças
Não quero viver o presente
Quero me esconder numa concha
Deixar que as ondas passem 
Deixar que o mundo sangre
Durante toda a noite ao deitar-se acordado
Ao manter-me apertado
Eu como um menino, acreditava no ditado: a cura para a dor era amor.

quinta-feira, novembro 15, 2012

Ultrapassar os limites dos nossos pais....

Romper barreiras, ser melhor do que sempre fomos, ultrapassar os limites dos nossos pais ...essa sempre foi uma das minhas metas de vida. De que adianta nossos pais nos darem amor, carinho, investirem na nossa educação e abdicarem de muitos dos sonhos deles, em troca da nossa criação se não conseguirmos ser nem a sombra do que eles foram. É claro que, separadas as devidas proporções, não somos duplicatas dos sonhos que nossos pais fazem para nós, porém temos como obrigação tentar fazer valer cada gota de suor ou lágrima por eles depositados no projeto da nossa própria vida.
Se como filhos temos uma missão difícil, como pais temos todo um legado a ser deixado aos nossos filhos. Quanto mais privilegiada em termos materiais é a sociedade, piores são as crianças e a experiência da paternidade, pessoas sem tempo, que vivem sozinhas, e competindo ao invés de cooperando, que trocam o bem estar emocional pelo bem estar material imposto pela nossa sociedade de consumo. Exemplos de pais que morrem de stress ou vícios só deixam para seus filhos um estilo de vida não compatível com o amor e a compaixão, são limites muito medíocres para deixar a quem se ama.

terça-feira, agosto 21, 2012

Crianças não sobem mais em árvores

Sou do tempo em que qualquer quintal tinha uma árvore frutífera, minha avó tinha duas goiabeiras, mas eu comida pitangas suculentas de uma vizinha e mangas da casa vizinha, mesmo sem agilidade dava meu jeito e não ficava sem minha frutinha. Outros amigos traziam outras delícias dos quintais vizinhos.
O mundo cresceu, as folhas que sujavam o terreno passaram a ser um transtorno à vida moderna, as tardes perderam o tenro cheiro da terra, as brisas sumiram no ar quente pós aquecimento global ....o mundo perdeu seu charme, as infâncias perderam sua inocência.
Enquanto o cimento tomava conta do terreno, as chuvas de verão inundavam as casas, mas ora ora, porque será ? Teria a água outro lugar para escoar? Enquanto os prédios subiam nas alturas, as árvores se tornavam pequenas e as sementes não mais floresciam. Pular muros, correr descalso e ... subir em árvores, tornaram-se ações de alto risco, bicicleta agora, só de capacete, banho de chuva sem camisa então ... nem pensar! Dentro da bolha criada pelos "humanos" temos brinquedos de adultos, televisão (lógico!), canais "infantis", computador, vídeo game, tablets, celulares, maquiagem e um milhão de bugigangas chinesas, de nomes estranhos e poderes suspeitos.
São tantos brinquedos que as crianças não têm um preferido, não tem um amuleto, não distinguem seu afeto por um ou outro banalizam todos Amadurecem cedo, abandonando o amor singelo de criança pelo brinquedo preferido, tem todos e não tem nenhum. não vem as dificuldades da vida, não ficam preparados para ela derrepente são jogados na vida corrida, recebem filhos e nem como boneca conseguem brincar banalizam os mesmo, perdem o jogo da vida, perdem o amor pelos outros, o amor próprio, crescem com medo parte porque nunca se arriscaram, num sopro de vida, num galho de árvore...

quinta-feira, novembro 02, 2006

Ao meu filho

Antes de mais nada nessa estreia de blog vou dedicar poucas linhas para falar do que melhor fiz na minha vida... meu filho. Ele é a realização de muitos sonhos, e a não realização de tantos outros sonhos, ele é a troca justa, a escolha mais certa. Um filho é uma escolha pela vida, é uma escolha gerada por uma ato de amor e que deve perdurar por toda a nossa existência pois um filho somos nós ... um filho são todos os nossos antepassados, é a semente para nossos descendentes.
Meu filho sou eu, mesmo que um pouco dentro da própria alma dele.