domingo, março 27, 2022

A liberdade mais sagrada é a liberdade de pensar

 Como ser livre se temos nosso pensamento preso em ideologias, que não são as nossas, em crenças que nos são impostas, em pensamentos da grande maioria? Um dos maiores desafios que enfrentamos na vida é sermos quem a gente é, e a imposição para sermos massa de manobra começa nas imposições que vem como inocentes expectativas dos nossos pais para a nossa vida, mas o rol de imposições menos inocentes começam com as religiões que forçam o indivíduo a crer aos invés de compreender o mundo em que vivemos, isso cria uma paralisia ao nosso pensar... atrofiamos.  Por não pensar, achamos normal consumir a vida dos outros ... alimentando-se do que não é nosso passamos a não ser a gente mesmo. A roupa ...é a da moda, a comida ....é a que vemos todos comerem, o estilo de vida ... é o que passa na televisão, o que é melhor para as nossas próprias vidas ... é o que aparece nas redes sociais.

 
A verdade, é que tanta gente tenta nos impor o que é certo e o que é errado que, se não pararmos para refletir, acabamos sem nem saber qual é a nossa verdadeira identidade. Pessoas sem identidade acabam por ter vidas vazias, e vidas sem nada que façam ela valer são como fantasmas perdidos no tempo, rastros do que poderiam ter sido e não foram... amargor, rancor, páginas sem brilho e sem cor. Jung dizia que só aquilo que somos realmente tem o poder de nos curar, então muitos perdem a oportunidade de se transformarem em cura para as suas mazelas internas, e todos tem essas mazelas esperando serem tratadas. Tratar essas mazelas é um pouco de entendimento do porquê vivemos essa vida.

Se mostrar do jeito que somos, muitas vezes fará com que estejamos errados em vários aspectos da vida em sociedade. Abrir mão do que somos para priorizar um convívio, exige um tanto de humildade, empatia e equilíbrio pois, da mesma forma, nem todas as pessoas conseguem te agradar com plenitude. Aí começam a haver os extremismos, uma forma de exacerbar as convicções para se fazer valer em questões que acreditamos e que não queremos abrir mão. Os extremos existem para que com o tempo se apaziguem e se equilibrem entre os opostos e isso é lindo, pois é o fluir da vida aceitando a passagem do tempo. Com o tempo tudo se equilibra... como processos dentro de processos ... como transformações, como a harmonia dentro do caos ... O simples equilíbrio começa em nossos pensamentos, mas como pensar se passamos a vida perdendo essa liberdade primordial para o Ser Humano?

O pensamento começa em equilibrar a sensação de ser criticado pelo que somos, pelas verdades de outras pessoas e por ser o que realmente decidimos ser. O equilíbrio está em ser o que somos ao invés de crer no que não somos. Eis uma das belezas da vida, saber abrir mão de nossa personalidade ao mesmo tempo que nos impomos para sermos felizes e estarmos em paz com nossa essência, dentro do caos de ser quem a gente é.

segunda-feira, janeiro 10, 2022

Loucura de poeta

 A tarde transcorre calme e quente, nas ruas o Sol fervilha de gente. O frenesi e o frisson estão em todas as mentes. É um dia normal de uma vida anormal ....ninguém consegue parar .... poucos ouvem a suas respirações, ofegantes e tristes. Os homens passam a vida sem olhar pro lado, sem olhar pro alto, sem contemplar uma estrela, ver o mar ou ouvir o barulho do vento. O mundo inteiro passa silencioso em vidas que se constroem vazias. 

Acabou o encanto, acabou a poesia, de viver no balanço do mar, e beber maresia. Então a retidão das linhas entram em nossa casa sem cores, nas linhas de um pré moldado que, no nosso quarto, parece tomar conta da gente ficamos meio que pré moldados também, numa rotina que não tem mais fim, o despertar sempre na mesma hora, o remédio, pegar a agenda, cheklist nos compromissos, reuniões rápidas, reuniões longas, reuniões chatas, decisões, ganhar dinheiro, para poder gastar com coisas que não precisamos depois. Conforto e fartura que nos fazem mal, reconstruir uma roda que gira contra nós! Não sabemos navegar na correnteza do rio, e parece que sempre estamos contra ele mas no controle da situação, e não temos controle de nada. Tudo dentro do nosso celular, a agenda, os compromissos, os contatos, os abraços amigos num like e assim a vida passa, o tempo segue e temos a irreal ideia de poder porque controlamos tudo .. será mesmo ?

Um dia eu ainda pego um barco,eu me deito numa rede ... em rio agitado também tem leito, ando descalço, nado no mar, me jogo na areia, sem compromisso com nada, comendo a comida que encontrar. Olho pro céu a noite contemplando a beleza da vida, o passar do tempo sem contar os minutos, vivo a vida sem freio. Visito as amigos sem programar, roubo sorrisos.. valorizo quem faz questão de me ter por perto. Alguns amores são deixados em lugares escondidos para serem lembrados mais tarde ou esquecidos mais cedo. Arrumo as lembranças, ensaboo a vida. Eis a minha loucura... quando o mundo quer TER, eu só quero TERnura.

segunda-feira, janeiro 03, 2022

Amar é quebrar pedras ... construir estradas

Amar é como se achar dentro de sim mesmo
Amar é como se reencontrar no outro
Então eu te acompanho sem saber ao certo se vamos pelo mesmo caminho?
Então percebo que todo o caminho a ser percorrido, deve ser construído
O amor não é um simples caminhar num campo florido
Está muito mais para um obreiro construindo uma estrada sob um forte calor 

Um coração vivido sabe muito bem separar o certo do amado
Se escolhermos o amor utópico, sempre que fecharmos os punhos teremos uma mão vazia
Então o amor deve ser um lampejo de felicidade que sirva de estopim para mais amor 
E esse amor deve ser construído, não com as chamas do ilusório, do frívolo, das aparências ...

O amor deve ser construído a cada dia 
Como quem perfura um poço de petróleo
Buscando nas profundezas aonde tem mais amor
Porque amor simplesmente não vem pronto 
Não se compra numa loja de esquina
Há até quem vende e compra amor, mas não é isso que te preenche, nas noites vazias...
Nas manhãs sem companhia 

Existem os obstáculos da vida 
Cada pedra que deve ser quebrada conquista um pouco da nossa estrada
Buracos tampados onde temos falhas ... preenchemos com amor
Ou fingimos que aqueles buracos não existem e seguimos caminhando 
Afinal com tantos erros por aí o importante é não nos pegar corrigindo os nossos próprios acertos
Falhas sempre vão existir nas estradas que percorremos e isso nunca vai as deixar mais feias e mais bonitas

Então se jogue na sua estrada
Aproveite o asfalto ainda quente
Se não conseguir sentir o calor sob seus pés 
Fique descalço
Sem cautela exagerada
Ou previsões de trajeto muito planejados
Cuidado com os desvios ou bifurcações 
Se em algum momento ficar indeciso 
Tome uma decisão ... e "dê uma cisão"

Muitas outras estradas se cruzam pelo caminho
O importante é não parar o seu caminho
Construindo estradas, quebrando pedras, tampando buracos ou até seguindo com eles.

quinta-feira, dezembro 23, 2021

Catavento

 Gosto do cata-vento

Que quando venta

Mostra o invisível em movimento

E existe tanto invisível a nossa volta 

Que quando menos percebemos 

Somos nós que nos movimentamos pela força dele

Nós somos como um cata-vento

Podemos ter uma atitude à mercê do invisível

Podemos nós mesmos catar o vento nos pondo em movimento

É como começar 

O que não tem fim

É como amar ... se reencontrando no outro.

É um olhar no espelho, parado e vazio 

Mas aí surge uma lágrima contida...

Um sorriso espontâneo ...

Quando um cata-vento roda por nossa ação é como sair de uma encruzilhada

Um destino que deu um nó nas forças do vento

Um caminho que se cruza criando um período estático.

Romper com o parar do vento é tomar uma atitude.

É nos por para girar 

E quando nós começarmos a rodar com a força do invisível

É muito difícil parar ...

Rode sempre, não a mercê do vento mas em busca dele...

E se o vento for forte, troque o brinquedo por uma pipa

E deixe o vento te fazer ... voar!




Um passo de cada vez

 Se a poesia tivesse um destino, esse destino seria o infinito, porque quando escrevemos uma poesia miramos a alegria que está em todas as coisas muito além do tempo. 

Uma poesia mira a beleza do olhar e não os seus olhos, a leitura é só uma ponte entre a palavra realizada e a sonhada eternidade da palavra.

Em passos mansos a poesia se concretiza da inspiração à ideia, do pensamento à ação de escrever, de formatar um sentimento à criação de um texto ... e nesse instante sai do peito passando rápido pelo pensamento um sem freio de ilusões, desejos ... coisas sensíveis aos seres humanos, não se sabe bem porque ? É sempre algo que nos une, um pouco de divindade de termos nascidos assim, tão distantes e tão parecidos. Unidos pela palavra nem tanto, muito mais unidos pelos sentimentos que compartilhamos, e compartilharemos ao longo do tempo.

Novas gerações virão  e os sentimentos que nos excitam serão sempre os mesmos, e a poesia estará lá para encher um coração de gratidão por termos lido, de emoção por abraçar nosso peito, de humanidade por nos vermos tão "iguais aos nossos semelhantes". E aí nesse momento descobriremos que a vida é bela.

As pessoas ficam simpáticas percebendo o quanto somos parecidos ao ler um poema ... uma poesia. Descobrem que uma vida é pouca, se é só um pouco de vida. Vivida sendo pouca, sendo pouco vivida. 

Vá a um mundo onde eu possa versificar porque que é nesse mundo que se pode ver ao longe e "ver se fica" por lá, esse mundo vai te levar ao infinito das palavras, mas sempre seguindo um passo de cada vez a ponto de podermos voar e a poesia é um voar fora das asas.

sexta-feira, novembro 26, 2021

Noite havaiana

Num tempo entrelaçado entre a distância e o passado... pessoas de longe vão chegando, sorrisos e conversas com um ar de retomada. 

O tempo passa .. as coisas mudam .... pessoas chegam cedo, outras tarde, porém ninguém saiu do que já era, e tudo permanece igual.

Ali naquele beira mar, os anseios tem sonhos, os sonhos esperança em se realizar , falamos em futuro e estamos presos em passados. Então o que nos une ? ? Ninguém sabe ao certo... amor ou amizade, coisas difíceis de explicar.

Angústias de filhos, caminhos profissionais, causos ... pouco importa o assunto, pouco importa o que se come, ou o que se bebe. A música ... uma qualquer que não distraia o momento, nada importa além daquele singelo momento presente que tanto esperavam. Ali ... naquele lugar, chinelos se amontoam sem o interesse neles em si. 

Quem chegou tem o brilho dos olhos dos momentos presentes, mais lindo que o sol se pondo, mais profundo que o mar, tão intenso como noite de verão com brisa fresca de mar. O vento estufa e entorpece o prazer do reencontro. 

O ali naquele lugar há bem pouco era um lá .. tão longe que parecia nunca chegar. Agora é um aqui, todos perto ... embalados com as pétalas da Acácia.



segunda-feira, novembro 15, 2021

A mente de um ateu na morte

 Não acreditar em nada ! 

Extremamente difícil, talvez a mente de  um ateu seja muito mais complexa e detenha muito mais auto controle que a de muitos. Isso ocorre simplesmente porque é mais fácil se acreditar em qualquer coisa sem razoar sobre a veracidade das coisas. Simplesmente olhar o Sol e não crer que alguma força maior o colocou ali naquele exato lugar que dista da Terra a ponto de procriar a vida, perceber o tênue equilíbrio de forças monumentais mantém toda a possibilidade de vida. Tempestades solares, atmosfera, gravidade, equilíbrio de astros e átomos isso tudo parece orquestrado por uma força maior mas mesmo assim eles são céticos. 

Olhar o milagre da vida e não crer em algum Deus é muito mais complexo que acreditar em qualquer deus charlatão, porém não crer na vida pode ser mais difícil ao meu entendimento que não crer na morte (ou a vida depois dela). Para tentar entender o que é morte, primeiro é preciso entender o que somos, porque afinal se não soubermos exatamente o que somos, como iremos conceber o que irá morrer? Morre corpo, morre alma, morre espírito, mente, memórias, átomos? O que de fato somos?? 

É certo que o ser humano tem uma tendência a criar verdades e ilusões para atenuar sofrimentos, preservar nosso sistema sensível e consolar nossa mente das verdades dramáticas da vida (só o ser humano tem isso, os outros animais não parecem ter!). Entender que tudo tem um motivo é uma maneira de terceirizar a verdade. Pensar que sempre há algo bom em tudo... um plano maior, é para um ateu um momento de contradição total com a existência de um Deus amoroso. Todos nós queremos esse Deus, que exista um Deus bom, escrevendo certo por linhas tortas e governando a nossa própria vida, que Ele sempre tenha um motivo justo para toda a injustiça do mundo. Será que esse Deus existe exatamente dessa forma? Velhinho, barbudo, caucasiano? E onde fica a auto determinação do Homem? Esse pensamento também não explica a vida e nem a morte, aí entram as religiões, tentando explicar (e nos fazendo crer) todo o mistério da vida (e se pensarmos que a morte também faz parte da vida.... ou do contrário pensar que a vida faz parte da morte, afinal começamos a morrer quando nascemos, como numa ampulheta?). 

O que acontece quando morremos? Quem pode dizer ?  É uma luz que simplesmente se apaga, uma memória dando reset para nova jornada?  O corpo sabe quando vai parar de funcionar ? Ele se desliga abruptamente ou de forma gradual e sensível para libertar o espírito ? Ou não tem espírito na jogada ? Como funciona a máquina humana ? Como querermos crer ou entender Deus se não somos capazes de entender a nós mesmos? A presunção humana as vezes parece maior que o Deus que alguns acreditam. 

A respiração para, os movimentos se tornam inconstantes... em seguida o coração para de bombear sangue, órgãos, tecidos, células vão perdendo sua energia, em poucos minutos tudo para mas em alguma fração de tempo que ninguém sabe ao certo o cérebro vai mandar uma mensagem pelos neurónios que ainda estarão ativos, essa mensagem vem por meio de dimetiltriptamina, um composto psicodélico que inibe todos os receptores de serotonina, a glândula pineal que antes estava tão desconexa da vida pela ação de açúcares e conservantes, faz uma liberação abrupta de DMT, o corpo adormece e em lugar das sensações, sonhamos ... imaginamos ... lembramos tudo como um filme que passa, como uma viagem alucinante que nos faz crer que estamos indo para outro plano (é aquele momento em que a vida passa como um filme!). O tempo já não existe mais, tudo se mistura... o futuro acaba, o passado aparece como uma enxurrada no presente. Em breve ele também não existirá mais. O download cerebral cessa, as luzes se apagam, as cortinas se fecham. Nem dor, nem lembrança, nem consciência, não há alma, não há espírito, o corpo ainda tem atividade vital, mas não nossa ... passamos então ao cumprir o papel de devolver para a vida, toda a parte orgânica que tiramos do cosmos. Bactérias, fungos ... bilhões de organismos agora se alimentam de tecidos mortos. A morte gerando a vida numa eternidade biológica, o propósito da decomposição mórbida gerando vida. Novos processos de vida sendo construídos, relacionamento de cadeias de microrganismos interagindo com o que era um humano há poucos minutos. Aí percebemos que o tempo não para. Novas vidas seguem ... cada átomo foi reciclado, perde-se a individualidade e o corpo estará em bilhões de outros corpos como poeira no espaço. O tempo não existe mais para aquela pessoa mas segue seu percurso, sua energia também se extinguiu, mas e sua matéria ? 

Do pó viemos ... e para o pó voltaremos. Mas isso é tudo ? Num momento tudo é microscópico, no outro somos a imensidão da vida espalhados pelo cosmos. Quando se morre, morrem tantos sentimentos... mas será que todos eles morrem, a memória de um ente querido será que não o mantem vivo nem que seja na memória alheia ? Alma ... acaba, espírito se solta, vão pra onde ? Vagam como energia no espaço, será que continuam ou será que nunca existiram ? Alguém existiu mas como num virar de página .. passou a simplicidade da vida encontra a compreensão de um ateu.

terça-feira, novembro 02, 2021

TUDO É MAIS RAPIDO E EU CONTINUO SEM TEMPO

 -Vivemos numa vida sem tempo ! Áudios acelerados, leitura dinâmica, métodos ágeis, interações curtas, entregas constantes, vidas atribuladas e mais um dia se foi !

-Não tenho tempo! Quantas vezes você já não escutou ou mesmo falou essa frase ? -Não tenho tempo! Quantas vezes não a usou com desculpa para não fazer algo que um pensamento destrutivo te induzia a não fazer?

Pelo conceito logosófico, o tempo é vida ! Logo, quando você fica repetindo que não tem tempo para alguma coisa é porque esta deixando de viver ... "tempo que se vai, é vida que se perde!!"

Estamos vivendo ou só correndo? Temos intensidade de vida a ponto de não perceber as nuances que a vida tem? Estamos sem tempo ou sem prioridades, sem tempo ou sem atenção à ele? Porque, quando nós  percebermos a passagem do tempo podemos perceber o quanto perdemos dele  diariamente.

Será que controlamos bem o nosso tempo? Vivendo exatamente o que é importante de ser vivido?

Somos mais de 7 bilhões de seres ao redor do mundo... todos tem exatamente os mesmos 86.400 segundos por dia para viver.. Ah! mas um segundo é muito pouco, não dá pra fazer nada... mais ou menos, 1 segundo é o tempo para um pensamento e um simples pensamento pode mudar sua ação e as vezes a forma como agimos mexe com a nossa índole, com o nosso caráter, com o temos de futuro para as nossas vidas. 

Ao longo da história, desde os grandes imperadores, conquistadores, sábios e inventores até o mais simples dos homens, todos tiveram exatamente a mesma quota diária de tempo. O que cada um prioriza ou vive, aí sim é uma escolha diferente e que pode indicar o que cada um viveu.
 
Tempo é uma grandeza física da natureza ou um conceito abstrato criado pela sociedade? O nosso tempo está restrito à nossa vida na terra, ou ele perdura ... Que movimentos eu faço para que o tempo corra a meu favor? Eu estou sempre contra o tempo ou a favor dele? E se você continuar de olhos fechados pra o tempo, sem tratar essas inquietudes, o tempo vai passar e você vai continuar com elas.
O amadurecimento é uma ação do tempo, logo o próprio tempo me fez perceber o quanto eu perdia de vida, me fez ter o discernimento para entender o quando eu podia estar trabalhando para ter o tempo a meu favor.... a visão de que o tempo se estreita mudou para uma visão de um tempo que se expande, porque a vida passou a ter mais valor.
Fazer um controle das atividades mentais e da minha conduta diária, para que no final do dia eu seja dono do que eu vivi, passou a me dar o controle do meu tempo, refletir sobre o que eu faço do meu tempo ( ou da minha vida)  me mostrou como ter uma vida produtiva, vinculada a atos de bem, a estudos superiores e que me levam a um processo de evolução através do tempo.


sábado, outubro 16, 2021

O país que parece que não é

Vivemos num país bizarro onde tudo parece faz de conta. Onde segurança se confunde com bandidagem, onde bandidagem faz a segurança da população, todos pedem algo em troca é verdade, mas o papel do Estado é desviado para um papel que parece mais querer extorquir a população. 
O Brasil é um Estado onde exercer o poder se confunde com corrupção. Economia é controlar quem vai fazer os gastos e divisão de poderes é meramente arranjar quem vai separar cada quinhão.
É o país do futuro que não se entende com seu passado. Um futuro que nunca chega e que vive num presente de demagogia e podridão. Aqui se finge fazer educação, não há terra pra todos mesmo nessa imensidão.  Onde tudo passa a ter uma dimensão torta e retumba enviesado tudo o que se faça. O médico que num hospital público, salva um paciente da morte na verdade fez mais que um ato da saúde, ele rompeu com desigualdades sociais imensas por dar um atendimento que poucos podem ter. Conseguir estabelecer um complexo protocolo de saúde do início ao fim aqui no Brasil não é só uma questão de saúde e competência médica, muitas vezes é uma questão de resistência ao sistema falho e uma questão de sorte.
Aqui tomar uma vacina passa a ser muito mais que um ato para resguardar sua própria saúde, a um custo baixo a nível preventivo. Cada vacina tomada toma o vulto de um ato político e de um posicionamento social. Um dizer não quando deveria ser um apoio dizendo sim. 
Governos estão sempre contra nós, o aparelho do Estado parece estar contra nós. É um país onde a educação é resistência , é teimosia , é ter esperança que sabemos que se quebra na primeira crise econômica. Crise é algo que começa e termina, nossas crises são eternas num efeito que só parece que se ameniza, mas que no fundo ... No fundo mesmo vive de mesmos problemas que parecem que são os que já foram ... Mas que nunca terminam. Vivemos num tempo onde problemas de tensão agrária ainda existem, num tempo onde a equação entre o agro business toma o lugar do latifundiário monocultor, num tempo onde confrontos indígenas ainda existem, onde a saúde é precária, a educação não desenvolve o povo. Onde esperamos de braços cruzados um salvador da pátria , pai dos pobres,um mito. Aqui as doenças são erradicadas mas voltam a nos assombrar e a qualquer descompasso da economia, que patina sempre, a fome retorna. Um país liberal e de economia extremamente fechada. Os mesmos problemas de décadas ou de séculos passados. O verdadeiro pais que não sai do lugar.

sábado, abril 03, 2021

Ditadura nunca mais

 


Usar do artifício de uma ditadura ou de uma autocracia (mesmo que democrática) é atestar nossa incompetência em resolver os problemas na base do diálogo. Sim, dialogar é muito mais difícil porém é a coisa certa a se fazer. 

Regimes totalitários nos dão a impressão de que quando chegamos a um nível crítico de caos, só a força impõe a ordem. Esse expediente deve ser uma opção sim ... a última! E com um caminho muito bem definido sob a forma da Lei. Regimes assim incutem no subconsciente humano de que a força se sobrepõe à razão, isso gera desde extrapolação dos limites da lei, por quem deveria cuidar dela e até justificativas para a violência doméstica.

Regimes totalitários impactam uma característica essencial do Ser Humano, a de se contrapor, a de se refletir no oposto a de deixar um amplo e fértil campo de pensamentos disponível para a livre escolha.

Regimes totalitários são a celebração do rompimento com a democracia e o Estado de Direito. É renegar a inteligência humana a um segundo nível, é limitar os pensamentos a uma ou outra teoria. Existem convicções, existem valores morais e essas coisas devem ser priorizadas em relação a tremores repentinos e temporários de uma política de Estado. Esses valores nunca devem ser violados pois viola-se assim a essência humana que nos diferencia do resto do mundo animal. 

Não falo mal de uma ditadura de direita ou de esquerda ... a cabeça é redonda para permitir ao pensamento, mudar de direção então pouco importa de que lado esteja o totalitarismo, ele causa mal para ambos os lados da nossa massa encefálica.

sábado, julho 18, 2020

Presunção humana

Achando que somos eternos, nos preocupamos pouco com as coisas realmente relevantes nessa nossa passagem por aqui e os grandes problemas da humanidade seguem os mesmos através dos anos. Temos fé subjugando o conhecimento, vamos ao espaço ver de longe nossa pequenez mas limpamos o coco da mesma forma tosca por séculos ... derrubamos árvores (que achamos que não são vidas) para fazer .... papel! (aquele mesmo que limpa o coco). Nos falta oxigênio ... sentimos falta daqueles árvores que matamos, gastamos milhões plantando outras e as derrubamos também.

Não pensamos mais em filosofia como os gregos imaginaram há séculos, agora a cadeira de filosofia é só aquela matéria que o governo acha inoperante e deficitária nas faculdades. Eis que aí nos conhecemos muito pouco .... sem saber o que nós somos, não entendemos o que precisamos e cometemos os mesmo erros do passado por achar que a história não é feita de repetição (e nesse caso também acharam o tema deficitário). Sim vamos crer num mundo melhor mas seria melhor arregaçar as mangas e fazer esse mundo melhor, nós temos capacidade pra isso ! Afinal inventamos a tal nave no espaço.

Uma nave no espaço serve para nos mostrar o quão evoluídos nós somos e o tão pouco evoluídos somos até agora. Uma nave no espaço eterno nos mostra que nesse grão de areia onde vivemos num equilíbrio frágil vimos passar no espectro da história todo grande populista, todo ditador sanguinário, todos os nossos amores, toda a nossa perdição, nossa vida inteira ... toda a vida do mundo que num raio de sol mais forte ou num cometa desgovernado, pode se desfazer em segundos. Vemos de longe que somos no espaço um nada mas que num equilíbrio cósmico temos aqui nesse nosso cantinho do universo uma condição ímpar de vida ... e não aproveitamos bem esse milagre. Seguimos tocando a vida ... e sendo muito pouco tocados por ela, graças à fragilidade que nos infligimos.

Não sabemos porque estamos aqui, como chegamos a esse estágio da história, não sabemos nos curar de um vírus que morre em minutos com álcool gel, não conseguimos dar, água limpa para todos, investimos milhões para curarmos de doenças raras e que matam pouco enquanto milhões morrem porque não tem saneamento básico, olhando as redes sociais vejo os experts do mundo debatendo sobre a vida pessoal do artista ou do jogador de futebol. As maiores cabeças pensantes do mundo usam a sua genialidade para que um site ganhe mais likes enquanto o mundo clama por soluções. Na crise recorremos a médicos, quando deveríamos ter sanitaristas evitando as crises e esquecemos que todos os médicos, cientistas, políticos... eram pedras brutas antes de passar pelas mãos de um professor, mal remunerado e descontente com sua vida.

A vida é breve companheiro e vale a pena cada sorriso que se de, cada bem que se faça ... cada angustia que se viva, porque viver é muito mais que nascer, crescer, envelhecer e morrer. Nossa vida vai além da batida inconsciente de um coração, nossa vida pode ser o legado que deixamos para outras vidas, nossa existência tem um tempo que se eleva ao corre corre do dia. Mas entre guerras, doenças, futilidades, problemas pra se resolver, presumimos que isso tudo que nos ocupa é mais importante do que a transformação que podemos gerar usando um pouco mais dos 10% que conhecemos da nossa capacidade mental.

quinta-feira, abril 30, 2020

Achados de uma pandemia

Então o Brasil acaba por "descobrir" milhões de desassistidos, pessoas que não aparecem nas listas de CPFs, no SUS, no Bolsa Família, em nenhum programa de assistência do Estado, não são batizados, não são registrados, não são civilizados. Mendigos, indigentes, desocupados, vagabundos ... na verdade são indigestos, restos de uma sociedade que teima em não os ver. Pessoas que não conhecemos, que estão bem abaixo da linha da miséria, que vagam por aí sem que nós os vejamos como seres humanos. Eles não estão escondidos, estão nos sinais, nas esquinas... nós é que não temos olhos para eles! E é estranho não ver uma parcela de pessoas na Era do Big Data, da onipresença dos meios digitais, numa éopca da evolução humana onde ser criam personas virtuais e que não guardamos compaixão com as pessoas reais.

Pessoas que não moram, que acreditam que viver numa favela é algo vetado para eles, pois não tem renda, não tem meios de sobrevivência, não tem credo ou religião, que estão na subvivência e que aceitam isso. Dalits brasileiros, excluídos da sociedade, sem nome na certidão, sem identidade pessoas sem uma vida de verdade. Pois o entendimento do que seria vida passa pelo entendimento do que viemos fazer aqui, se for simplesmente nascer, morrer, procriar e crescer sim .... são seres vivos, porém se ampliarmos um pouco esse baixíssimo espectro e elevarmos ele para minimamente se desenvolver, não damos condições nenhumas para que essas pessoas possam viver. Criamos, diantes de nossos olhos uma horda de zumbis! Sem lar, sem ler, sem saúde ou orgulho só tem um destino e uma certeza ... terminarão em cova rasa sem nunca terem existido. São o resto... 

Entender o que devemos fazer por essas pessoas passa pelo entendimento que tenhamos pela vida e pela humanidade, o que se esperar delas. Que as vidas sejam vazias a ponto de trocarmos os cuidados a seres humanos iguais a nós por um gagget ou pet qualquer ?

Pessoas que carregam no estomago seus objetivos de um dia, da vida inteira, que tem a fome na frente da moral, uma poluíção social que não aparecem nas fotos, são escondidos das festas e dos paraísos de cartão postal. Sem dignidade sem teto pra morar nem por isso deixam de ser Humanos e brasileiros tão fortes e resistentes quanto nós. As ONGs pouco fazem pois não são organizados, são dispersos, pingados. Eis que se abre agora uma oportunidade de descobrí-losem meio a uma tempestada pandêmica, como um furacão que revolve a areia da praia, que tira a espuma do mar bonito para que encontremos tesouros perdidos na praia. Sim, eles são tesouros, uma forma de redenção ... não a deles, a nossa! Temos que exterminá-los, mas não os matando... os incluindo! Elevando suas perspectivas, fazendo seu pesadelo acabar e que continuem sendo erráticos mas nunca os esquecidos na multidão. 

Podemos pensar que são filhos da miséria e cujo castigo é viver ... mas miséria de quem ? Numa sociedade que só pensa no dinheiro é simples deduzir que a miséria é deles porém se elevarmos noss pensamento para a miséria humana podemos também concluir sob outro ponto de vista que existe muita miséria humana e nesse caso a miséria é nossa e não de quem não tem perspectivas para sair do lugar. Uma vez que eles precisam de tudo e não lhes damos nada e isso inclui muito mais que dinheiro ou meios de sobrevivencia. Não lhes damos nem um olhar, não lhes estendemos um braço, um afeto, uma chance. Se já nascem fracassados, não foram eles que fracassaram, não são batizados, não são vacinados ... vão morrer e ninguém vai se importar, uns vão ter um alívio de um problema resolvido.

Ledo engano o problema real vive dentro de nós ! Mais um problema que deve ser descoberto dentro de uma pandemia.





quinta-feira, abril 23, 2020

Quarentena

As ruas estão vazias.
Um silêncio tamanho, nos lembra a morte.
O movimento da rua é um carro ao longe.
O tudo, parece virar um nada.
Não se ouve alma viva...
Não há grito de gol no espaço...
A respiração ofegante é abafada por uma máscara
Parece fábula.
Mas é a vida ... histérica se tornando dramática

Seguimos uma vida cheia de vazios 
Trancados dentro de casa
Não há briga
Não há comemoração 
Só incertezas no ar ... e um vírus que nos quer calar.

Abafados ..
Diante de tão pouco, vemos o quanto somos nada.
A mercê de algo que não vemos, uma nova semana começa 
Com as velhas rotinas, egoísmos, 
A luxúria do mundo e ...
Os desvalidos.

Não há tempo para tão pouco 
É preciso abrir os braços sem dar abraços
Falar sem cair nas discussões terrenas
Precisamos ver o mundo com outros olhos
Ver que pequenos problemas podem ser desesperadores 
Quando na abundância do ar, não podemos respirar 
O mundo nos sufoca 
A miséria nos torna ausentes
Carentes ... de uma forma de humanidade
Sem que ninguém se altere 
Esperanças brotam do nada
Um braço estendido no meio da rua 
Pede comida.... pede sabão
Pede um olhar 
Mas tudo é em vão 
Novas vidas são perdidas
Velhos sonhos são descartados 
Não temos respostas
Temos uma vida inteira que repousa 
Silêncios preenchendo sonhos 
Mentiras corrompendo a vida 
Que carece fugir da realidade.


quinta-feira, dezembro 05, 2019

Particularidades dos holocaustos

Estamos acostumados a ver as cenas do holocausto judeu com aquelas cenas horríveis de cadáveres jogados em covas rasas, filas imensas entrando nos crematórios, números de judeus mortos sendo contados aos milhares, fotos de centenas de sapatos espalhados pelos campos de concentração. O gigantismo para contar uma história dentro da nossa história de humanidade, o aparato grandioso da guerra, muitas vezes esconde as pequenas milhões de estórias ceifadas de cada Humano que passou por essa experiência. Não são 6 milhões de judeus mortos na história, mas 6 milhões de histórias destruídas nas particularidades da guerra. Contos de famílias felizes que perderam tudo e que simplesmente deixaram de existir para a humanidade.

O caso mais famoso é o de Anne Frank, existem outros tantos, existem relatos de superação, de coragem, de covardia, de medo, de dor, de perda .. muitos poucos de esperança. A ótica que retratou a guerra durante muitos anos foi a de movimentos grandiosos de guerra, aos poucos foram aparecendo as pequenas histórias da particularidade de cada família, de cada pessoa, casos como o de Anne Frank, Lili Jaffe, Adolpho Block, Miriam Ziegler, Sam Piviniki e outros tantos mostram famílias despedaçadas, parentes brutalmente separados e um enorme buraco que deixou milhares de humanos, sem pátria, sem chão e sem sentido de vida. Muitos dos relatos dos sobreviventes nos levam a um sentido mínimo de Humanidade e dignidade que se não lhes dava esperança ... minimamente os faziam sobreviver mesmo que instintivamente e daí encontravam forças para reagir a morte.

Existiam centenas de campos de concentração, alguns deles também eram de extermínio, Auschwitz era o maior deles, mas olhar a História só por essa visão bem particular é fechar os olhos pelo que acontecia em Sobibor, Treblinka, Lwow ... a forma de olhar a História pode mudar em muito o nosso sentimento pelas coisas que aconteceram, nos colocar em sintonia pelo que uma pessoa passou naqueles momentos pode nos dar a real condição de vida e sobrevivência. Transformar nosso conhecimento em sentimento e daí a importância de não se fazer esquecer para não repetir. 

Da mesma forma que o termo holocausto nos faz pensar só em extermínio de judeus na segunda guerra é bom deixar claro que até nesse termo acabamos escondendo particularidades que semântica nos dá .. se pensarmos que o termo HOLOCAUSTO vem do grego para representar a queimar todos e exterminar podemos traçar paralelos, não em números, mas em sofrimento com outros momentos da história, nem é preciso recorrer à Roma antiga, Gengis Kan, Inquisição, os Incas, as Guerras Guaraníticas, a Primeira Guerra Mundial, o Extermínio de Pol Pot, o genocídio Armênio, os expurgos Stalinistas, Mianmar, o Estado Islâmico, a Bósnia, o Sudão do Sul ou os Pogroms. Existem genocídios bem perto de nós, na nossa história recente como a Guerra da Tríplice Aliança dizimando o Paraguai, o extermínio em massa de Canudos, o Contestado, o hospício de Barbacena, as prisões do Estado Novo. 

Matar, torturar, exterminar sistematicamente pessoas tendo como motivação eliminar as diferenças de nacionalidade, raça, religião e etnia são coisas prometemos nunca mais ver, depois de vermos o holocausto nazista, mas que continuam por aí como se ninguém olhasse para a particularidade deles e o ódio que os cria.

quarta-feira, outubro 09, 2019

Coringa um filme necessário para dizer que o Ser humano não é tão perfeito quanto a sociedade impõe ...

Uma desnorteante dessincronização da sonoplastia, cenas exuberantes e memoráveis, tomadas sombrias de um filme denso, interpretado no seu papel principal por Joaquin Phoenix, um conturbado e brilhante ator que teve um megalomaníaco personagem escolhido a dedo para ele.

Bem ... o personagem é pop mas nasceu bem antes dos quadrinhos da Marvel, numa inspiração melodramática de Vitor Hugo (O Homem que Ri). A partir de origens diversas o vilão desse filme tem uma história sofrida, quase que comovendo o público a torcer pelo vilão. Apesar do personagem nos fazer imaginar uma comédia com seus atos, a trama psicológica é triste, sua risada insana... nada tem de engraçada mas é um distúrbio patológico muito mais associado a depressão após um trauma físico.  No transtorno da expressão emocional involuntária, as crises de choro e/ou riso, além de serem incontroláveis, tendem a ser desproporcionais ao estímulo recebido, podendo estar completamente dissociada do estado de humor do paciente ou mesmo ser contraditória ao contexto no qual o estímulo está inserido. Tipo quando o público faz, quando um anão tenta sair da cena de um crime brutal do filme com o sangue respingado pelo cenário. Se o público acha graça em algum momento do filme ... por uma piada infeliz, uma risada contagiante, mesmo que desesperadora, é porque precisa apontar o dedo para si e questionar como somos capazes de não conseguir controlar nosso sistema sensível diante de uma narrativa tão perturbadora.

Um homem adulto que vive a cuidar da mãe nos parece uma boa pessoa, mas não é! Num tempo em que vivemos de falar de propósitos de vida, o dele é " trazer risos e alegria ao mundo" .... mas não é bem assim que a trama ocorre! Porque as oportunidades da vida nem sempre são as que persistimos em seguir obcecadamente. Não é porque a sociedade nos tenta enfiar, goela abaixo o positivismo, a alta performance e o bem estar constante das redes sociais que seremos assim. É impossível ser feliz sempre, ter consciência de que o Ser Humano é falho e que por isso somos igualmente falhos nos dá um conforto ao errar e um ânimo a mais para consertar. A tristeza é algo que o mundo tenta sufocar para manter uma felicidade difícil de se sustentar na eloquência das horas vividas entre no nosso ego e as nossas almas.

Não são poucos os que tem transtornos mentais, menos ainda são aqueles que por um momento da vida passaram por momentos de descompressão emocional, dramas psicológicos que sufocam os sentimento e acabam por sufocar a si mesmos, como um homem que quer conter o riso quando só pensa em chorar. Em certo momento do filme existe uma citação bastante reflexiva: " A pior parte de ter uma doença mental é que as pessoas esperam que vocês se comporte como se não tivesse", isso é a demonstração de como não estamos preparados para conviver em sociedade com pessoas com esses transtornos, por séculos colocávamos esses doentes em reclusão, em condições físicas cruéis e pouco humanitárias. O Brasil tem a casa de genocídio de Barbacena, Os Estados Unidos o Athem Lunatic Asylum, a Austrália a Inglaterra tem os seus. Sempre tentando proteger a sociedade de transtornos mentais, mas também dos veteranos de guerra, dos homossexuais, das prostitutas, dos infiéis matrimoniais, dos pecadores da Igreja e etc.

Num tempo em que uma das maiores causas de afastamento profissional sejam fatores psicológicos, num tempo de Prozac e Fluoxicitina curando bullying, a sociedade ainda cobra o sorriso, a alegria de um almoço de domingo, a heterossexualidade, a crença religiosa, a saúde física, a aceitação o tempo todo, a magreza, o vestido da moda, a certificação profissional ... Nos levam a ser cada vez mais o que exigem e cada vez menos em nossa essência. Na imaginosa Gotham City isso leva ao caos dos oprimidos diante da crise higiênica e dos serviços públicos, daí para a onde de violência é um passo, como animais encarcerados matam-se os semelhantes e o líder de todo o movimento é sem querer,o Coringa. Mesmo vilão, gera empatia por, como os demais, ser desassistido por uma sociedade corrupta, hipócrita e delirante. Que sofrem a violência da maldade explícita mas também aquele sutil, escondida em pequenos atos, palavras e julgamentos.

Existem várias maneiras de sair desse cinema ... simplesmente frios diante de um filme de ficção, assombrado, exitado com os atos de violência, pensando nas reações de um agredido diante de seus agressores ou com uma necessidade de olhar o mundo e a si mesmo com mais sensibilidade, compaixão e pensando na frase do Coringa: 

"Sou eu ou o mundo que está ficando mais louco?"


Alguns números do terror:

60.000 mortos no manicômio de Barbacena (entre mulheres adúlteras, presos políticos, infiéis religiosos).
3.000 castrados no Topeka State Hospital do Kansas (entre epiléticos, "bobos", crimonosos leves).
2.600 paciente no Danvers State Hospital que comportava 600.
9.000 mortos no Beechwort Lunatc Asylum (sem diagnóstico de loucura).
800 infectados propositalmente com Hepatite B no Willowbrook State Hospital.
2.400 pacientes no Trans-Allegheny Lunac Asylum que comportava 250 pacientes.
3.393 afastamentos do trabalho no Brasil em 2016 por depressão

Todos tem histórico de abusos sexuais, maus tratos e tortura!

.... e a velha tia segue feliz para a missa de domingo depois de ter sossego por internar o sobrinho homossexual numa casa de cuidados mentais do governo...



segunda-feira, setembro 09, 2019

O Despreparo da geração mais preparada

 Podem rotular como quiser ... geração X, Y, Millennials, alfa .... mas existe uma geração de jovens, que há pouco tornaram-se adultos que são a geração mais preparada em termos de escolaridade, acesso a informação, conhecimento tecnológico, visão , cultura e convívio com o conforto. Serão nossos futuros líderes, foram preparados para assumir o mundo, falam três idiomas, usam computadores, tem facilidade com a internet, experiencia internacional e fazem coisas que nem precisam mais fazer como cozinhar e dirigir. Suas habilidades saltam aos olhos e a princípio serão eles os responsáveis por uma das maiores transformações que a humanidade vai dar, um salto nas relações de trabalho, de consumo com o uso da tecnologia. Além disso, eles assumem sem problemas essa responsabilidade de conduzir as grandes corporações, inovar em pequenas empresas, em fazer lucro e em pensar numa sociedade mais igualitária e inclusiva. 


A crença de que a felicidade é um direito e a falta de preparo para lidar com as frustrações pode botar tudo a perder, se precisarmos de um indício de que isso já ocorre é só olhar o aumento das taxas de suicídios, depressões, vendas de Prozac e problemas psicológicos que o mundo espera para os próximos anos, uma tendência que será amenizada com os movimentos globais de liberalização da maconha (não estou expondo aqui minha opinião sobre se é certo ou errado, mas o movimento global já iniciou e pelo visto não terá volta!). Essa geração despreza o esforço sem resultados e foi a minha geração (seus pais) que incutiu a cultura do menor esforço na cabeça deles. E mesmo que tenha esforço sem resultado, fomos acostumando a dar uma premiação. Fomos premiando tudo , dando tudo ... oferecendo muito mais "sins" do que "nãos". 

A nova geração conhece o mundo em viagens protegidas, é despreparada para o sentir e o saber pensar, desconhece a fragilidade da matéria da vida e aí quando se apercebe vai sofrendo, e sofrendo muito quando nota que nasceu com a felicidade e que ela não nos acompanha a vida inteira, pensam que já nasceram prontos . E não foi ensinada a criar a partir da dor, que cresceu com a ilusão de que a vida é fácil, que nasceram já com uma genialidade embutida e que falta apenas ao mundo reconhecer essa genialidade. Aí eles chegam no mercado de trabalho achando que estão em suas casa, fazendo as coisas nas horas que lhes cabe, tendo chefes complacentes e esperando premiações que os estimule como num jogo de vídeo game. Como os prêmios nem sempre vem .... se deprimem, desistem ... até se darem conta que a vida é para os insistentes, que precisam se reerguer das derrotas.

Como educar nossa próxima geração a poder conviver com as derrotas? Será que é dando mais proteção, afago quando o "NÃO" é forte demais para eles, ou lhes dando maconha para fugir da realidade? A solução pode estar em, desde cedo, mostrar que a vida é uma construção que felicidade não é um direito mas uma conquista, que para chegar à ela temos muitos deveres, esforços e derrotas pela frente, que a vida é uma evolução muito maior que o diploma, o trabalho e a informação. Temos que mostrar que boa parte da felicidade não se compra, que filhos não devem ser dívidas que os seus pais tem que pagar e se frustrar quando atrasam alguma parcela. Temos que educar para que as crianças pensem, sintam o que aprendem e não se frustrem com suas decepções, pois daí pode vir o ânimo para começar de novo. Frustração não é fracasso!

A sociedade parece vangloriar mais o cara genial que não estudou mas passou para medicina do que a menina que se esforçou e passou raspando, o conceito de esforço parece que é valorizada só por pobre. A médica que estudou nos melhores colégios e tem um carro é bem sucedida, o cara que se esforçou para mudar de classe social sem ter equidade e que precisa pegar o ônibus todo o dia pra sustentar a família é um derrotado. Ambos tiveram suas conquistas, existem méritos e mercados para ambos mas o grau de percepção às derrotas de ambos será completamente diferente.

As redes sociais não dão espaço para as tristezas, a vida pré moldada e os almoços de domingo também não, o desabafo passou a ser encarado como derrota, os problemas como fracassos e o mundo belo que pintamos nas redes não é assim. Felicidade é um imperativo! Então como se abrir expondo aos nosso pais as nossas angústias? Vivemos num mundo onde os problemas são sufocados e não resolvidos, onde as doenças psicossomáticas partem do princípio de que é importante parar de chorar e seguir em frente. Ouvir isso num momento de fraqueza oprime, deprime...

As relações familiares foram construídas blindando-se filhos dos problemas, dos esforços e eles só participam das conquistas. Quando se tocam que a vida não é assim, decretam a falência do projeto familiar veem que foram moldados num mundo de ilusão e a solução mais fácil é procurar um médico e começar com os antidepressivos.

Quando um projeto de vida vira fumaça, ficar sem chão é a próxima etapa, sentir a fragilidade humana nos espanta e daí para a depressão é um pulo ! O que fazer para cortar esses ciclos ? Deixar consumir todo o processo depressivo, cortar esse ciclo no meio? Identificar o que poderiam ser os impulsos para mudar ou acelerar o processo natural ? É muito difícil ter a resposta certa quando um ciclo de decepção inicia. Muitos, como numa cartasse vivem todos os seus momentos, de ira, silêncio, desorientação, esperança e reconstrução. Outros procuram fugas paliativas. Cada um tem uma forma de lidar com o seu drama e partem de algum ponto do seu autoconhecimento, quanto melhor se conhecer, mais apto estará para lidar com os problemas. Se tiver um norte, um propósito de vida, mais rápido voltará para o rumo dele, então educar nossas crianças a se entender na sua individualidade, tanto para aprender a pensar e lidar consigo mesmo, quanto para resolver seus próprios problemas pode ser uma chave para que tenham mais confiança na vida adulta.

Deixar nossos filhos viverem com algumas dúvidas e fazer as próprias escolhas não é o fim do mundo, vai cultivar neles a responsabilidade de lidar com causas e consequências. Isso é tão importante quanto uma boa escola, um curso de inglês ... um celular. Eles devem saber que podem sempre contar com os pais mas que eles mesmos devem se virar para enfrentar a vida.

segunda-feira, agosto 12, 2019

No nosso longo caminhar

Eu te amo 
Sem mais nem menos
No tempo ideal, na medida mais certa
No sol e na chuva, com roupa e sem ela
Te amo como todas as pétalas amam a rosa
Como todos os frutos amam a terra
Como as estrelas amam ao céu
E como as ondas amam o mar
Esse amor é parte da vida presente
Vida completada por você 
Amor incondicional, mas que se pode guardar
Na palavra incontida, no olhar apaixonado
Na simplicidade dos fatos 
No entrelaçar de dedos diante dos atos
No nosso longo caminhar.

quinta-feira, julho 25, 2019

A história do fim da ideologia

Até o final dos anos 80 o mundo assistia brigas ideológicas de alto nível, não se resumia a uma guerra fria ideológica entre comunistas e capitalistas, se olharmos com detalhe havia um arco iris de tendências  espectros dentro de cada vertente ideológica. Existiam os Trabalhistas (tanto de direita quanto de esquerda), os Sociais Democratas, os Verdes, Comunistas tradicionais russos, que não se batiam muito com os chineses, existia toda uma vertente ideológica liberal britânica que tinha um feitio diferente dos democratas americanos, que lutavam contra os comunistas cubanos que tinham o seu ditador, mas que sua vez lutavam contra os ditadores militares latino americanos. E esses mesmos ditadores tinham suas diferenças, os argentinos eram mais brutais que os brasileiros, o chileno voltava sua economia para o liberalismo enquanto aqui no Brasil o movimento era estatizante.

O final da década de 80 foi chegando e a vida foi perdendo a cor no mundo inteiro. Um impacto direto da derrocada comunista sem essencialmente haver uma vitória real do capitalismo, as ditaduras latinas cederam o poder para governos democráticos imersos em problemas sócio econômicos sérios enquanto uma dezenas de países europeus estavam reconstruindo suas economias e tentando se encontrar ideologicamente. Cazuza retratou bem esse momento de frustração geral no seu álbum Ideologia, onde a capa mostrava uma miríade de símbolos antagônicos entre si.



Em meio a isso um sujeito chamado Lula que representava um partido trabalhista essencialmente sindical se lançava candidato a presidência do Brasil. Uma década se passou e seu discurso foi ficando vazio mas sua persistência o fez aparar a barba, atenuar a fala, melhorar o terno, alinha seu discurso com os dos seus inimigos e .... substituir o furor do idealismo político pelo estratégico marketing eleitoral. Quando ganhou sua eleição, já estava distante daquele líder sindical de outrora. 

Começou então a andar com quem não devia, fazer o que não lhe condizia, renegar a sua ideologia, aos poucos foi se perpetuando no poder, somente para governar... era o poder pelo poder. Emplacou releição, criou artificialmente uma candidata substitua a ele e viu seu poder ruir sem uma ideologia para lhe sustentar. Os desejos dos partidos seguiam a política do toma lá, dá cá criada pela política dos governadores há 100 ano atrás e alimentada pelos mensalinhos da política nacional. 

Surgiu então a direita, alimentando-se de uma ideologia de fake news, simplificando o debate político numa briga de Fla X Flu e alimentando a fúria bélica dos certos contra os errados, os vermelhos comunistas contra os brasileiros nacionalistas. Discursos viraram tweets, bom senso virou  ... virou ... não, o bom senso se perdeu! Fomos criando uma dificuldade de lidar com quem pensa diferente, perdemos a autocrítica e o debate de alto nível de outrora foi trocado pelos Memes de internet. 

Nesse caminho perigoso de radicalismos extremos de parte a parte, professores não se dão o respeito, alunos os gravam em sala de aula para intimidar, caçamos bruxas como no Macarthismo, abrimos caminho para uma Revolução Cultural ao estilo chines e a uma Jihad evangélica. As instituições vão entrando em colapso, esvaziamos a autoridade de quem as tem ... no meio dessa bipolaridade social doutrinamos sem ideologia e sem idéias, sem construção mas baseadas no fato de ser contrários aos outros, perdemos nossa identidade, e com isso vamos perdendo por quem lutar como se perde o orgulho de uma vitória ou o sabor do aprendizado de uma derrota, como lágrimas que se perdem no meio da chuva. Vida humana no meio do nada....


sexta-feira, julho 19, 2019

A verdade vos fará livres!

A verdade vos fará livre .... mas onde está a verdade? Em tempos de relacionamentos rasos, pouca profundidade dos fatos, fake news, diálogos rápidos, ideologias trocadas por marketing político, discursos substituidos por memes. Onde estará a verdade de tudo ? Parece difícil encontrar a verdade das coisas, escolher alguém para crer num mundo construído de mentiras e frases vazias. Pode ser que procurar alguma verdade num mundo externo ao nosso nariz seja como procurar agulha num palheiro, então que tal começar a procurar uma verdade dentro de nós mesmos.

O autoconhecimento nos leva a encontrar onde está nossa própria verdade, e apesar de estarmos tão próximos da nossa essência, muitas vezes não olhamos para nós mesmos, já que vivemos  uma vida para os outros. São filhos que seguem a profissão escolhida pelos pais, compromissos que temos que assumir para seguir a agenda dos clientes. Discursos que não são nossos mas que seguimos por uma paixão irracional. Amores carnavalescos que não tocam a nossa essência. 

Quando vamos ver, nossa vida passou e temos muita dificuldade em encontrar nossa própria agenda, nossa marca nas conquistas, nossa força de vontade por encontrar um espaço próprio na história. Aí nos damos conta que não possuímos nem a nossa própria verdade. Para começar a procurar uma verdade pra chamar de sua, não procure nos livros de auto ajuda, nas palavras mal escritas de um blog qualquer, não procure olhando o horizonte de pessoas que passam pela nossa vida, não procure nas crenças e nem nas religiões que dependem de uma fé cega para mostrar a verdade. Procure em você mesmo, procure nas reflexões que faça, nas aspirações e inspirações que surgem longe do nosso sentimentalismo barato. Procure em tu mesmo e encontrará a verdade pois ela está na abundância de tudo que é essencial para a nossa vida, desde as ideias até o ar que respiramos... procure no amor próprio e no amor ao próximo, aquele amor que nos infla o peito de nos dá uma sensação de gratidão.

É o amor irrestrito que nos torna livres da intolerância, do preconceito, é ele que nos liberta dos dogmas, do traiçoeiro pensamento que nos sabota e nos derrota. É amando ao próximo e a nós mesmos que podemos falar com sinceridade, olhar com profundidade os olhos dos outros, é com esse amor que construímos a vida e encontramos a nossa paz.

segunda-feira, julho 08, 2019

João Gilberto

A impressão é que 10 em cada 10 músicos que viveram os anos 50 no Brasil falavam de um cara que tinha um jeito descompassado de tocar violão, uma voz que ficava longe de um crooner mas que, com esse estilo diferente de tudo que já tinha sido ouvido, influenciou suas carreiras. Esse cara se chamava João Gilberto e com ele se foi a memória de um Brasil que despontava para ditar cultura pelo mundo afora, junto com a conquista de uma copa do mundo em 58, a arquitetura, a música e o cinema mostravam ao mundo um país cosmopolita que se emancipou da semana de arte moderna de 22 com um nível de sofisticação nunca antes vistas num país que aos poucos deixava de ser rural e que em breve iria ter uma nova capital. O mundo nos descobriu como nação intelectualmente independente quando descobriu João Gilberto.

João se foi e com ele uma horda de boas lembranças de Nara Leão, Vinícius de Moraes, Miúcha, Carlos Lyra, Roberto Menescal, Baden Powell, Leny Andrade, Tom Jobim, Pixinguinha, Cartola, Elis Regina, Tim Maia ... não que estivessem totalmente relacionados entre si mas que simbolizavam uma face bem brasileira de fazer a música de forma diferente, à exaltando como arte. E se ainda existem: Chico, Toquinho, Gil, Caetano, Ivan Lins, Roberto Carlos, Guilherme Arantes, João Bosco, Hermeto Pascoal, Zé Ramalho, Erasmo Carlos ... renegados a um ostracismos gigante, talvez até porque não conseguiram passar o bastão para uma nova geração de artistas, como João Gilberto fez influenciando tanta gente. Ah! ainda figuram nessa lista de influenciados Frank Sinatra, Bono Vox, Sting, Al Jarreau, Doris Day, Diana Krall.

Um músico obcecado pelo silêncio que apareceu num vácuo de vibratos de vozeirões como Cauby Peixoto, Orlando Silva e Francisco Alves. Num país de grandes violonistas, foi João que colocou o instrumento sob as luzes indo além do Samba Canção e do Jazz, incorporando um sentimento a instrumentação. Algo difícil de ser explicado porque é muito bem sentido nos compassos entre som e silêncio que ecoam arrebatadores nos nossos corações. Não é a toa que um disco tipicamente de Bossa Nova, mesmo cantandos em português seja um dos mais celebrados da história do Jazz. O LP Getz/ Gilberto é tão arrebatador quanto ouvir Chega de Saudade sem nenhuma referência anterior a Bossa Nova. Ou o show de João Gilberto no Carnigie Hall. 

João Gilberto é um convite ao ouvir, é um convite ao perfeccionismo e a atenção. Coisas tão difíceis num tempo de ímpeto comercial, talvez por isso ele tenha sido tão recluso, tão incompreendido, tão chato! O cara que sempre esteve a frente do seu tempo, ficou preso no passado, onde o glamour era só um banquinho e um violão.

quarta-feira, julho 03, 2019

Não aprendi dizer adeus

Não aprendi dizer adeus;
Mas certas coisas no mundo não se aprendem... se encontram e foi exatamente por encontros que estamos aqui chorando por dentro para nos separar. 
Veja que foi muito melhor que um desencontro, onde não teríamos nem a oportunidade de chorar.
Nunca dizemos adeus de verdade porque quando as almas se encontram ficam marcadas para sempre umas nas outras.
Essa marca é criada quando se tem um relacionamento forte o suficiente para mudar de alguma forma nosso jeito de pensar, nossos valores, nossos corações.
Todos os humanos são irmãos e por não compreender isso desperdiçamos as oportunidades da vida, desperdiçamos a própria vida.
Temos toda a nossa existência para travar esses encontros então siga bem devargar com a vida porque temos pressa, não perca tempo pensando que não tem tempo! Busque o seu próprio tempo e viva com intensidade tudo que possa um dia virar a despedida de um encontro.
A pressa é a negação do tempo, e se o tempo é vida ... ter pressa é não sentir o pulso da vida. Tempo que se vai é vida que se perde. Não perca ele ... mas vá ... bem devagar! Encontrando o que tem de vida por aí.
Nosso futuro depende  do que fazemos hoje e por isso temos sempre que buscar fazer o melhor e isso inclui: nossas escolhas, nossas atitudes ... e nossos encontros (e despedidas). Quando for dizer adeus pense nos tantos encontros que não aconteceram e seja grato pelos que teve.
Quanto mais gratidão experimente o homem pelo passado, quanto mais gratidão guarde pelas horas felizes vividas nele assim como pelas lutas e pela dor que sempre são instrutivas.. tanto mais se abrirá a sua vida a novas e maiores perspectivas de realização.
E onde quer que você vá ... vá para brilhar! Vá, para mesmo que de longe, eu possa te enxergar, leva o coração feliz ! Fiel com si mesmo e com seus propósitos. São eles me ligam a você, não podemos perder isso! O que nos separa não pode destruir o que nos une.
As coisas se transformam: num dia um oi ... num outro um adeus! Que nos transformemos então, um Ser renovado a cada dia ... que não precisa dar adeus para aquele Ser que você foi ontem, guardando, dentro de si, encontros e despedidas sem perder os laços, os elos. 
E muitas vezes não conseguimos dar atenção ao que é básico e necessário nessa vida, muitos se perderam pelo caminho simplesmente porque estiveram envolvidos com os seus problemas.
Problemas se resolvem e damos adeus a eles ! A vida nunca deve ser colocada dentro dos problemas, mas os problemas sim devem entrar na nossa vida, para podermos tirá-los ... 
Vai ... vai logo com Fé no que se faz ! Fé no que se é .... Fé no que queremos ser ! Fé não é simplesmente acreditar no que queremos para nós, é tornar esse querer uma obstinação, um movimento que mova tudo a sua volta para conquistar.  Fé é sentimento aliado a atitude então vamos em frente porque chegou a hora de nos separar ... até breve ... até sempre ....

Porque precisamos da sociologia

Somos 7,7 bilhões de pessoas no mundo, 4 bilhões estão conectados a internet de alguma forma, nunca a população cresceu de forma tão rápida, nunca a conectividade cresceu de forma tão rápida... em algum ponto entre 2020 e 2021 seremos 5 bilhões de pessoas convivendo no mundo digital, gerando uma renda de consumo em torno do trilhão. Como será isso com os atuais níveis e padrões de consumo? Como enfrentaremos as fake news ? Como as redes sociais impactarão a vida do homem ? Existirão novos padrões de ética proporcionados pelas religiões que causarão algum efeito na democracia? Assuntos bem atuais não? Diferentemente do que "pensam" nossos governantes, a sociologia não está ultrapassada, é ela que responde todas essas questões! Quando falamos num sociólogo no século XXI, ele não tem nada a ver com um acendedor de velas que perdeu seu emprego com o advento da lâmpada. Como as empresas vão prover produtos melhores para atender esse bilhão de conectado? A Google, criou um grupo de estudos (NBU - Next Billion Users) para pensar nisso, são engenheiros, gestores, filósofos, e sociólogos que constroem tecnologia a partir de necessidades que aprendem sobre essa nova gente e o Brasil , junto com a India, a Indonésia e a Nigéria está no primeiro foco desse time, porque somos um país que cresce, em costumes, em população... são desses países que virão a maior parte desse novo bilhão de conectados, segundo os geógrafos.

A partir de estudos sociológicos podemos prever a sociedade do futuro, priorizar investimentos, fazer pesquisas, definir padrões. Não são estudos simples relacionados só com números, não se trata de um conjunto uniforme de pessoas, dentre eles estão jovens urbanos que querem um celular mas que não querem mais comprar um carro, mulheres que não querem mais casar, homossexuais que são ameaçados pela violência. Como podemos ampliar a rede 5G para atender o rapaz ao mesmo tempo em que pensamos quem processar quando o carro autônomo atropelar uma pessoa? Ou mesmo quem vai seguir com o processo uma vez que as tecnologias cognitivas fazem os advogados perderem seus empregos... 

Para questões simples não precisamos de pessoas que pensem, para questões complexas não basta o conhecimento de uma universidade que nos ensinem a cumprir tarefas, vamos cada vez mais precisar de experiências que nos façam verdadeiramente a pensar. A sociologia é o estudo da sociedade, é a busca pelo conhecimento dos fenômenos sociais, do comportamento, das instituições das relações de convivências dos seres humanos. Quando não priorizarmos isso, não vamos priorizar  o próprio pensamento humano e é preciso ter muita atenção a movimentos que por ignorância ou interesse tentem romper com isso.


terça-feira, julho 02, 2019

Porque existe direita e esquerda na política ?


Nenhuma outra forma de governar incorpora a discordância, e o debate, como o sistema democrático. A democracia é, por sua natureza, uma abstração intelectual. A direita e a esquerda também.... A percepção geral de que há uma direita e há uma esquerda ajuda na compreensão da democracia pois dá legitimidade à discordância. Essa divisão se deu nos anos pós revolução francesa quando Girondinos e Jacobinos fizeram uma assembléia numa quadra de tenis .... alguns mais radicais, queriam taxar os mais ricos e o clero, tinham idéias republicanas e sentavam no lado esquerdo da quandra, enquanto os outros ficaram ao lado do imperador e também no lado direito dessa mesma quadra. Com o passar o tempo, o posicionamento de ambas as partes foi mudando, com a explosão do comunismo no século XX, o conceito de direita e esquerda saiu da França e ganhou o mundo com uma contaminação de socialistas nesse lado.


Algumas posições evoluiram com o tempo, uma tese defendida por uma esquerda, passou a ser bandeira também da direita, novas divergências se criaram, fatores regionais deram um tempero todo especial a essa briga de paixões. Na década de 90 muitos defendiam que essa diferença tinha morrido com a guerra fria, outros não se identificavam nem com um lado nem com outro recorrendo então a uma terceira via. Além disso houveram muitos véus e muito lobo vestido em pele de cordeiro, o viéis economico fez parecer que os que propoem uma economia liberal são de direita, já os que são estatistas são de esquerda... não é bem assim ! Apesar da direita em geral apoiar a Igreja Católica, existem tantos padres ligados a esquerda que a divisão ocorre até na Santa Sé.

Os militares no Brasil sempre estiveram ligados a esquerda, o Golpe Militar de 64 foi feito por uma elite militar com idéias de ... direita! Houveram radicalismos de ambas as partes, erros de qualquer lado. A incompetencia não escolhe lado, o totalitarismo também. A igualdade ou desigualdade entre os cidadãos parece ser medida entre grupos políticos diferentes para se posicionar entre seres semelhantes, mas o que é igualdade: duas crianças que nascem iguais e uma se torna um rico comerciante e outro um mendigo. Ou ambos que nascem ricos ou pobres e morrem com a mesma idade ficando debaixo da terra remoendo suas diferenças históricas e teóricas....


Padrões pré determinados não deveriam valer para um Homem que pensa: A esquerda busca igualdade e, a direita, liberdade. A esquerda busca mudança e, a direita, estabilidade. A esquerda é o Estado e a direita o Capital. A Esqueda comunista e a direita capitalista, um regime autoritário com economia sem o Estado é a direita, porém se o mesmo regime autoritário é compartilhado com uma economina Estatal forte já passamos a ter uma esquerda. 

Essa dualidade move paixões, mobiliza nosso imaginário, junta pessoas na rua, une ... mas separa. A partir do momento que não conseguirmos compreender porque o outro pensa diferente de nós, não conseguiremos enxergar pontos que nos unem. Não conseguimos criar mecanismos que nos deixem entender que o bem que queremos para o mundo seja algo igual para todos.... Não conseguiremos colocar o cidadão de bem se colocar diante das diferenças para buscar o bem comum pensando que não existem realmente grandes diferenças assim mas que o pouco que há servem como forma de desagregar e impor uma dominação.

segunda-feira, junho 10, 2019

A troco de que?

Nas ruas barulhentas
Pessoas em movimento caótico
Perdidas no tempo e numa inutilidade sem fim
Vazias, em seus problemas sem tamanho
Donos de tudo que sobra além do essencial
A areia escorre pelas suas mãos
Ampulheta escoando a vida aos poucos
Preocupados com os pecados alheios
Equilibrados com uma hamornia tensa
Não existe a saudade, existe a ausencia
Perdidos numa tela de celular
Conectados com tudo
Perdidos da vida entre o nascer, o crescer e o morrer
Sem entender ao menos um sentido pra vida
Se ocupando do ir e vir das coisas
Inconsciente de tudo
Buscando ... mas só um minuto de paz!

quinta-feira, maio 09, 2019

Porque precisamos de filósofos

Precisamos formar pessoas que pensem! Apesar dos ideólogos sem diploma, dos enquadrados da caserna, dos ricos astros do entretenimento, da necessidade de qualificação bitolante do trabalho, da televisão, dos influenciadores digitais, das provas de múltipla escolha, do governo e do patrão ! Cabe ao Homem um papel muito maior que levar sua existência ao ciclo de crescer, trabalhar, casar, reproduzir, envelhecer e morrer. 

Na avalanche de intolerância que nos encontramos só penso num jeito de melhorar, através do pensar. Para melhorar o mundo começamos com as pessoas, a medida que vamos melhorando as pessoas melhoramos a sociedade. O único meio que temos para nos conhecer melhor e propor nossa melhoria (interna e externa) é através do conhecimento e dois instrumentos importantes que temos para aprimorar esse tipo de conhecimento e melhoria são a filosofia e a sociologia. São exatamente as áreas de conhecimento renegadas pelo nosso presidente, ele quer uma universidade produtiva, que nos dê resultados. Fazer o que? O papel de uma universidade não é bem esse pensamento simplista de executar tarefas, vai muito além.... fazer o que ? Tem gente que não consegue captar as coisas num plano maior ... mais abrangente, fazer o que ? É claro que não estou defendendo aqui as bizarrices que vemos nas nossas universidades, que muitas vezes tem má gestão de dinheiro público. Nosso dinheiro vai para o ralo no aluno que prefere o jogo de sueca, na turma que anda pelada, no trote banal, mas também desce pelo ralo quando o pensamento é raso, quando o curso é ruim, quando a zona de conforto se inicia aos 20 anos, quando não pensamos. Pensar no que queremos para o futuro, imaginar aperfeiçoamentos do homem e da sociedade, sem essa referencia não saímos do lugar, ah pode até ter interesse que queira que não saiamos mesmo !!

A Filosofia permite ao ser humano compreender melhor a si mesmo, a sociedade e o mundo que o cerca, estimulando uma maior autonomia do pensar, agir e definir formas de comportamento. A partir dela, e ao longo de séculos, foram e são fundamentados projetos, pesquisas, produções científicas, artísticas e culturais. Dela, nasceu da necessidade de orientar-se e encontrar um princípio norteador, das reflexões que proporciona estimula-se o espírito crítico que constrói as melhorias que queremos para nós e para o mundo. Muito bonito, mas o importante disso tudo é a força que tem o "nós!" na frase fazendo nossas próprias indagações somos levados a pensar e buscar nossas próprias melhorias, de forma livre e independente de ideologismos baratos. Eis porque tanta polêmica quanto a tal da filosofia,  ela é capaz de delimitar limites e, ainda assim, proporcionar liberdade e muito mais ...."penso logo existo!".

quarta-feira, abril 03, 2019

Sobre a História

Alguns podem até achar que olhar para o passado nos impede de ver o futuro, interpretar os fatos históricos dependem da interpretação (e dos interesses) de quem os contam mas existe muito mais além de minimizar os fatos. A história demonstra que as coisas se repetem, que sempre existem movimentos cíclicos de desenvolvimento, de flutuação de poder. Definir se uma tomada de poder foi um golpe ou revolução não é simples semântica mas caracteriza muito o que está por trás do feito, seus interesses e ... porque não os interesses daqueles que deturpam a história no tempo presente.

Discutir história não é como discutir um lance de futebol com o advento do VAR onde cada um interpreta os fatos de acordo com sua preferencia mas no final nada muda.... o fato histórico sempre vem dentro de um contexto de mudança da sociedade. Analisando a histórica podemos ver o desenvolvimento do Homem dentro do seu contexto. Escravismo em tempos romanos quando dominavam uma aldeia e levavam prisioneiros como escravos podia ser normal e aceitável durante o império romano, isso virou parte do comércio europeu no século XIV na costa africana, hoje em dia é inaceitável ! 

Como não entender que a falácia de dizer que o Brasil é um país pacato que não entra em guerras  está completamente dissociada com a História de um povo marcado por revoltas, revoluções, guerras e índices altos de homicídios urbanos, como não temer uma liberalização de armas de fogo para um povo que nunca teve um sistema penal coerente e tem essa violência contra seus semelhantes banalizada desde os índios pré Cabral (o descobridor... não o governador do Rio) ? Como não traçar um paralelo entre Rasputin e Olavo de Carvalho? A vida se repete .... a atenção ao contexto histórico podem nos fazer ver indícios de impeachment aqui maior que no Chile por exemplo, afinal temos um histórico recente de contextos como falta de apoio do legislativo, crise econômica, falta de politização da população que vira e mexe nos levam a isso. 

Como acreditar nas instituições se  elas tem um histórico de desvinculação com os desejos do povo, como não pensar que um governo executivo possa ter dificuldade em governar se desde 1951 só 3 presidentes eleitos passaram a faixa presidencial para presidentes eleitos(Lula para Dilma, FHC para Lula, JK para Jânio). Tivemos 21 governos só 3 foram democraticamente eleitos, isso não é só história, são indícios. Demonstram falta de amadurecimento democrático, instituições em conflito, partidos políticos fracos, poderes fortes mas não em suficiente sincronia para manter uma estabilidade administrativa, uma tranquilidade fiscal, um caráter positivo para investimentos e desenvolvimento social. 

Em tempo, era uma vez um presidente que se elegeu com promessas de acabar com a corrupção, se elegeu com enorme apoio popular, governava na base do recadinho informal, preterindo a imprensa e os meios oficiais de comunicação e dessa forma não conseguiu apoio do congresso, não governou, ficou paralisado até que seus níveis de popularidade caíram .... pode achar tudo contemporâneo mas é o presente copiando o passado de Jânio Quadros em 1961 ... a princípio o Golpe (ou revolução democrática) de 1964 se repetido hoje seria caracterizado como crime inafiançável e imprescritível de atentado contra a ordem constitucional e o Estado Democrático previsto no artigo 5o , inciso XLIV, da constituição.

Falam de reescrever a história do Brasil, é preciso fazer uma releitura sim, mas olhar pra frente nos embasarmos na história para não cometermos os mesmos erros sempre.