terça-feira, março 26, 2019

Banalização da violência

Entre as dezenas de vídeos chocantes, memes, mensagens de bom dia, eis que chega pelo Whatsapp uma gravação de um cara ao telefone pedindo para trocar um sanduíche que foi entregue errado. Diante do pouco caso da atendente para o problema do cara, acabo  me identificando com ele, acho um absurdo o que se passa e de certa forma concordo com a ira do cara. O que se segue me causa espanto e .... risos! A banalidade vira assunto de jornal nacional ... o tal cara vai na lanchonete espancar a atendente que não cumpriu bem o seu papel, o cara, usando de sua disposição de policial resolve surtar e levou a vias de fato transbordando toda a ira que carrega no seu pobre emprego. 

Confesso que errei por rir da situação, mas o riso não foi pelo fato dele bater na mulher, mas as consequências que uma coisa tão banal teve. A circunstância patética que a vida as vezes tem, é que me faz observar o fato com distanciamento. Não se pode rotular o cara de monstro (apesar de que tem que ser punido, ainda com mais rigor por ser treinado a conviver em situações de stress). O fato dele ter perdido a linha é algo que infelizmente é compreensível (de forma alguma justificável!) ... quantas vezes não estouramos por motivos completamente banais, chega a ser patético numa sociedade tragicômica como a nossa onde a violência é banalizada e mortes são apenas números amontoando-se dentro de um estilo de vida raso, inconsequente e egoísta. 

O Estado é responsável direto nessa formação cultural brasileira, aqui negros foram escravizados até a morte e achamos essa vergonha apenas um fato histórico que já passou! Aqui marinheiros eram espancados, adversários ideológicos eram torturados, lavradores expulsos de terras na base do tiro. Revoltas se tornaram extermínio em massa, heróis que fizeram chacina vivem livres por aí ... cidades que carregam no nome as gotas de sangue dos seus antepassados mortos (veja o caso de Florianópolis), aqui jovens entram em escolas atirando nos amigos mas a sociedade americana é que está corroída. Existem as violências brutais que levam as vias de fato, como um homem que espanca uma mulher, existem as violências que se cometem privando uma criança da merenda escolar, ou não punindo exemplarmente aquele que cometeu um ato de violência, são violências morais, mentais ... abusos que vão de contra a nossa Humanidade. 

Se o Estado patrocina nossa violência diária, cada indivíduo se torna frio e indiferente às violências que vê ... tudo é um circo de likes enquanto não muda em si próprio, e não dá para mudar o mundo se não começarmos a mudar a nós mesmos. A impressão é que só não somos piores porque falta poder de fogo! (mas em breve o Estado vai resolver esse problema!). Do garoto bem educado no aconchegante seio familiar e na melhor escola da cidade que se transforma num boçal bruto dentro do Maracanã espancando um idoso, até o pai de família que para o carro para o pedestre atravessar a rua do condomínio de luxo, mas que ao sair dali  vira um monstro no transito. Todos parecem ter um instinto violento dentro de si, alguns controlam ... outros não. Conhecer a si mesmo é uma forma de melhorar sempre e conter essa ira, mas o Homem vem cada vez mais se distanciando do seu interno, tem sido avesso as reflexões, tem terceirizado seus pensamentos a vendedores de fé e de perdão. Coisas banais que resultam em indiferença e riso diante da maior tragédia humana ... a falta da consciência de que somos parte de uma unidade humana e que o opositor é mais semelhante que imaginamos ... é a falta da tal humanidade que acreditamos pertencer.

quarta-feira, janeiro 02, 2019

O conto da montanha que ganhou o mundo

Era só uma montanha, nem era tão alta e bonita como outras a seu redor, não tinha a beleza dos montes alpinos, não tinha neve para que pessoas a pudessem esquiar, era pedregosa e feia, pela dureza de suas pedras nem árvores tinha que sustentar em seu dorso. Como não havia a sombra dos bosques não era visitada ou explorada, não tinha rios ou cachoeiras, não se renovava e não tinha vida aparente. 

Certo dia ouviu dizer que uma montanha do outro lado do mundo explodiu em ira, ganhou brilho e luz passando a ser chamada de vulcão. Buscou no seu interno algum calor que pudesse expelir se tornando atrativa, mas nada só achou pedras duras e frias, mas viu um certo brilho e não ligou. Séculos se passaram e a montanha via a vida passar .... gerações atrás de gerações, resistente ao vento e ao tempo ela seguia forte mas triste. Até que um dia um homem movido pela sua inteligência chegou com alguns aparelhos, primeiro a montanha se assustou pois o homem começou a quebrá-la! Mais homens e mais picaretas chegaram ... acharam uma montanha de minério de ferro.

Entre o desespero da montanha que estava se despedaçando e a avidez dos homens a quebrá-la ela encontrou a sua serenidade pois estava a milênios parada no mesmo lugar e os homens com suas picaretas iriam demorar outros tantos séculos para conseguir quebrá-la por inteiro. A montanha começou a se espalhar em pequenos pedregulhos. Em uma das rachaduras feitas pelos homens a água da chuva começou a penetrar, formou-se um rio e em seguida um pequeno lago, a poeira da quebradeira trouxe um pouco de terra, uma semente trazida pelo vento começou a germinar numa frondosa árvore, e ali a sombra dela os homens descansavam após o trabalho árduo. Naquele canto da pedregosa montanha começou a haver vida, novas sementes vieram, novas árvores surgiram mais sombra surgiu num belo recanto que virou um parque na cidade que crescia a seu redor. 

A montanha, de forma onipresente acompanhava cada pedrinha que os homens quebravam, umas viraram casas, escadas e assim a montanha passou a viver perto das pessoas, outras sofreram muito pelo calor mas a partir delas puderam forjar lindos artefatos de ferro, facas, garfos, colheres, parafusos, porcas, vigas que sustentavam cada vez edifícios maiores. o mundo foi crescendo a partir das pedrinhas daquela montanha. Delas, o homem forjava, o que a inteligencia dele precisava, a montanha ficou feliz, um dia fizeram até um carro com o seu ferro. Dali a montanha passou a ver o mundo, de seu ferro fizeram uma torre belíssima no centro de uma cidade bem famosa chamada Paris. Enfim a montanha ficou bem no alto, lá de cima da torre ela podia ver a Cidade Luz. 

Então lá naquele recanto da montanha que virou parque plantaram uma roseira, belas rosas nasceram de igual beleza às demais, um  jovem porém colheu uma rosa e presenteou a sua namorada, naquele momento a rosa passou a ter outro valor, das suas pétalas passou a sair um outro perfume, o afeto fez daquela rosa uma expressão da união entre o sentimento humano e a natureza, nossos olhos só veem nela uma imagem, para a menina que ganhou, já não é mais uma rosa, é um símbolo, em breve será uma recordação. Ela vai sorrir e a montanha, que acompanhou tudo vai ver um amor surgir. 

segunda-feira, agosto 13, 2018

O aprender e o ensinar


Ninguém ignora tudo. Ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa e ignoramos outras. Isso nos dá diariamente uma oportunidade enorme de aprendermos sempre. Não é a questão de transformar o mundo pela educação, é preciso começar antes tentando mudar as pessoas, aí sim, pelo braço da educação  e depois seguir esse passo mudando o mundo através das pessoas transformadas que a educação criou. 



Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as amplas possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção, porém muitas vezes antes de construir algo é preciso destruir outras coisas que estão no mesmo lugar. Abrir mão de um dito conhecimento por outro é um processo que deve mexer não só com o pensamento mas com o sentimento pois desconstruir para depois construir é abdicar de muito esforço que já nos dispusemos a fazer durante a vida. Para isso, é bom lembrar que o universo está sempre em movimento, e nossa vida também é regida por esse vetor. Não somos um processo a parte do mundo ou do universo que nos rodeia, estamos inseridos nele como um processo dentro de outros tantos processos, todos se movimentando sempre, todos evoluindo na medida em que saem da inércia.

O conhecimento exige uma presença curiosa do sujeito em face do mundo. Requer uma ação transformadora sobre a nossa realidade demandando uma busca constante que vai implicar em invenções e reinvenções.... construções e desconstruções.

segunda-feira, julho 30, 2018

Manhã em Madrid

Se amanhã de manhã
Eu te acordar com um beijo e croissant
É porque a noite foi boa
Mas se eu te acordar incansável
Com um beijo e uma broa
É porque a noite foi louvável
Como noite de estreia
Ou manhã de geleia
No seu desejum

Uma noite incomum
Como as manhãs de tapioca
Ou noite idiota
Te tendo irritada
Para te acordar com torrada
Esquecendo da mágoa
Te oferecendo coalhada
.....Ou ovo mexido
Depois de tê-la curtido
Com seu Remelexo
Te acordar com desleixo
Para uma outra Invernada

Beijos de mel
Em noite de céu
Estrelado de amor

Se não te acordar
É para contemplar teu sono
Depois de uma noite amada
Com a roupa espalhada
E um beijo singelo
de boa noite....

Noites se confundem com dias
Te acordo bebendo sangria
Para recomeçar uma noite de dia
sem beijo .... sem nada
Para sempre...
Entrelaçam nossos dedos
Nessa longa caminhada

segunda-feira, maio 14, 2018

20 sensações para sentir


  1. Banho de chuva no verão
  2. Chorar por amor
  3. Ouvir música sozinho no escuro
  4. Andar de mãos dadas
  5. Ver um nascer do sol em qualquer lugar
  6. Ver um por do sol na praia
  7. Brisa fria no rosto
  8. Um abraço apertado
  9. Chorar de alegria
  10. Andar de bicicleta com filhos
  11. Dor de barriga de tanto gargalhar
  12. Contemplar a grandiosidade do mundo
  13. Gratidão pela vida
  14. Gratidão pelos seus antepassados
  15. Gratidão pelo trabalho que traz comida à sua mesa
  16. Bater papo com mendigo
  17. Dar razão pra velhinho sem razão
  18. Dar comida para quem precisa
  19. Dar um abraço para quem precisa
  20. Mudar a vida de alguém


Quantas dessas sensações você já teve? Quantas você cultiva?


sábado, maio 12, 2018

30 músicas para ouvir


  1. Cavatina (tema de The Deep Hunter) - Stanley Myer
  2. The Winner Takes it All - Abba
  3. Comfortably Numb - Pink Floyd
  4. Us and Them -  Pink Floyd
  5. Sultans Of Swing - Dire Straits
  6. Sexual Healing Marvin Gaye
  7. Have you ever Seen the Rain - Creendence
  8. Every Breath you Take - The Police
  9. Don´t Stop Believin - Journey
  10. Pain Lies On The Riverside - Live
  11. Sweet Child O´Mine - Guns N´Roses
  12. New Year´s Days - U2
  13. The Logical Song - Supertramp
  14. My Way - Elvis Presley
  15. Total Eclipse of the heart - Bonnie Tyler
  16. Lord is it Mine - Supertramp
  17. Por Brilho - Oswaldo Montenegro
  18. Love Of My Life - Queen
  19. Stand By Me  - Jonh Lennon
  20. Tente Outra Vez - Raul Seixas
  21. Águas de Março - Tom Jobim
  22. O Bêbado e a Equilibrista - Elis Regina
  23. Força Estranha - Roberto Carlos
  24. Something - Beatles
  25. Rhapsody on a Theme of Paganini Op 43 - Rhachmanioff
  26. Bring on the Night - Sting
  27. Laura - Charlie Parker
  28. Caravansary - Kitaro
  29. Etude Opus 10 No3 Tristesse - Chopin
  30. Guru Sharanam - Tomaz Lima
Qual é a sua lista ? Alguma interseção com a minha?

sexta-feira, maio 11, 2018

50 filmes para ver


  1. Forrest Gump: O Contador de Histórias (1994)
  2. Coringa
  3. …E o Vento Levou (1939)
  4. Em algum lugar do Oeste
  5. A Lista de Schindler (1993)
  6. Sociedade dos poetas mortos
  7. Um Sonho de Liberdade (1994)
  8. O Poderoso Chefão (1972)
  9. O Poderoso Chefão: Parte II (1974)
  10. Os intocáveis 
  11. O Franco-Atirador (1978)
  12. Up – Altas Aventuras (2009)
  13. Rocky, um Lutador (1976)
  14. Coração Valente (1995)
  15. Seven – Os Sete Crimes Capitais (1995)
  16. Platoon
  17. Gladiador (2000)
  18. Gênio Indomável (1997)
  19. Jurassic Park: O Parque dos Dinossauros (1993)
  20. Titanic (1997)
  21. Toy Story (1995)
  22. Alien, o Oitavo Passageiro (1979)
  23. Blade Runner, o Caçador de Andróides (1982)
  24. O Silêncio dos Inocentes (1991)
  25. O Encouraçado Potemkin (1925)
  26. A Caçada ao Outubro Vermelho (1990)
  27. A Dança dos Vampiros (1967)
  28. Tempos Modernos (1936)
  29. O Grande Ditador (1940)
  30. Pulp Fiction – 1994 
  31. A vida é Bela 
  32. Central do Brasil
  33. O Campeão 
  34. Quatrilho
  35. O menino que descobriu o vento 
  36. Lendas da Paixão
  37. 1942
  38. Rain man
  39. Black Rain a coragem de uma raça
  40. Casablanca (1942)
  41. Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida (1981)
  42. Bonnie e Clyde – Uma Rajada de Balas (1967)
  43. JFK
  44. Apolo 13
  45. Amadeus (1984)
  46. O segredo da cela 7
  47. O segredo dos seus olhos 
  48. A espera de um milagre
  49. Pulp Fiction 
  50. Cidade de Deus
Qual é a sua lista ? Alguma interseção com a minha?


terça-feira, abril 10, 2018

O jeito gaúcho de ser


Um dia desses andando pelo bairro encontrei com um amigo gaúcho (ele é meio falsificado, mas tudo bem, torcendo pro Grêmio consegue se enquadrar no estereótipo). Um cara da paz, de pensamento fluido, sangue fervente nas veias. Enquanto conversava com ele foi  fazendo-se a imagem de outros gaúchos que conheço (gremistas e colorados), todos tão diferentes do brasileiro do norte, eis que passei o dia refletindo sobre os porquês dessas diferenças.
Pode ser por influência dos índios brutos que habitavam a região, pode ser pela colonização tardia, pode ser porque foi o que os portugueses não quiseram e pelo que os espanhóis não priorizaram, pode ser pelo isolamento do litoral de difícil navegação, pelo mate, pelo frio, pelo ouro que não existia, pelas histórias novelescas e míticas criadas pelo “farroupilhismo”.
O sul do Brasil teve um corte geológico, quando da separação dos continentes que fez com que seu litoral fosse retilíneo desde Laguna em Santa Catarina até Punta del Este no Uruguai. Um lugar de difícil acesso para a navegação e atracação foi negativamente decisivo numa época de conquistas marítimas e por essa razão um lugar deixado de lado pelos portugueses quando assinaram o Tratado de Tordesilhas. Aí o litoral sul ficou abandonado até descobrirem que o magnífico Rio da Prata dava acesso a um povo riquíssimo que se cobria de ouro e prata, para entrar nesse caminho ao ouro era preciso dominar a foz do rio e para isso os portugueses fundaram Colônia do Sacramento. o caminho até os Incas acabou sendo feito por Pizarro pelo norte e aí o interesse pela região diminui mais ainda.
Sem o poder e a força de um Estado europeu, os habitantes originais foram poupados da influência dos brancos por um bom tempo, a matriz indígena do sul do Brasil é diferente do resto do Brasil (predominante Tupis, Tamoios, Tupinambás, Goytacazes e povos amazônicos). Ainda que houvessem alguns Guaranis oriundos do Paraguai, os Carijós e Charruas eram os que originaram essas matrizes. Eram índios aguerridos, acostumado com o frio, com guerras e com uma força cultural que perdura até hoje.  Como a ocupação e domesticação dos nativos não pode ser feita por via marítima, tropeiros de Sorocaba desceram pelo interior para ocupara uma terra praticamente vazia, esse contato dos cavalos pelos tropeiros acabou transformando esses índios em cavaleiros-guerreiros, rompendo de vez com a ideia do bom selvagem, eis o primeiro paradigma quebrado pelo gaúcho.
Vieram então as Missões jesuíticas, com intuito de criar reduções do ambiente civilizado e assim domesticar nativos impondo a fé cristã, não somente a fé portuguesa ou espanhola, mas a ordem vinda direto do Vaticano. Os índios não domesticados, irreduzíveis, irredutíveis, acabaram sendo exterminados, mas não sem antes deixar um legado cultural de churrasco de chão, chimarrão e vestimentas. Os domesticados, trabalharam nas missões para cultivar entre outras coisas uma planta fibrosa usada para se tecer e criar cordas nesses pequenos núcleos de civilização, o Cânhamo. A ocupação final se deu depois da destruição por completa das missões quando portugueses receberam migrações açorianas e posteriormente no segundo reinado porções de terras virgens foram dadas a alemães e italianos que vagavam fugindo das guerras de formação de seus estados independentes, a área escolhida para ocupação foi uma região pouco ambicionada e sem grandes aberturas para o litoral, as serras gaúchas. Isso deu mais ingredientes para a diferenciação cultural do gaúcho.
Por fim o fato novelesco que deu alma ao jeito gaúcho de ser... a revolução farroupilha! Em 20 de setembro de 1835 estancieiros raivosos contra os altos impostos que a corte regencial cobrava de seu charque transformaram essa raiva fiscal numa revolução separatista e republicana. Até aí nada demais ... uma revolta  no período regencial assim como a Sabinada e a Balaiada. O diferencial se deu 100 anos depois quando um gaudilho toma o poder na revolução de 1930. Foi o gaúcho Getúlio Vargas que ressurge com a ideia de simbolizar em si a mística do guerreiro gaúcho, era preciso romper com o elo paulista e mineiro da república do café com leite, levando ao poder algo novo e diferente também do centro tradicional de poder carioca  ou das oligarquias nordestinas, o sul precisava surgir no panorama nacional relembrando figuras heroicas como Bento Gonçalves, Anita Garibaldi e Garibaldi, para isso usa escritores famosos para criar essa memória fantasiosa dando uma aura genuína ao jeito gaúcho de ser.

terça-feira, março 27, 2018

Natureza globalizada

Pode parecer óbvio que toda a natureza esteja interligada, o solo, a água, o ar, plantas e animais convivem em sistemas muito mais complexos do que se imaginava há décadas atrás. A medida que a ciência avança e que podemos processar um volume maior de informações vamos vendo que o conceito de globalização que é recente para o ser humano, já é usado a milênios pela natureza.

Existem mega processos naturais que são muito maiores que o ciclo da água que você estudou na escola, esse mesmo ciclo envolve verdadeiros rios aéreos que levam água vital de regões de alta pressão atmosférica para outras de baixa pressão. Existem oceanos imensos no subsolo, sociedades inteiras de animais que vivem em cavernas. Muito disso está interligado de forma organizada e inteligente, gerando muita causa e efeito: um terremoto na India pode gerar um tsunami no Japão. Um vulcão em erupção no Chile pode fazer a temperatura global ser afetada pelo despejo de partículas na atmosfera. A corrente fria dos mares do pacífico influencia o clima no Atlântico. Tudo é muito intrínseco, peculiar e está ocorrendo num volume tão grande a nossa volta e não nos damos conta disso, somos como formiguinhas e só reparamos nos resultados desses processos, que nem sempre são benéficos ao homem.

Milhões de partículas de sais se desprendem das geleiras da Antártica todos os anos no verão. A medida que essa massa densa de alimento flui para o norte e chega perto dos trópicos, vai emergindo das profundezas do mar com o aumento da temperatura e diminuição da sua densidade. Esse fluxo de sais por não receber luz solar acaba atravessando milhares de quilômetros para ser consumido pelo fitoplancton dos mares tropicais, aí já com sol abundante se dá o maior processo de fotossíntese do planeta gerando muito material orgânico que cruza o oceano Atlântico alimentando toda a fauna marinha, krills, camarões, sardinhas, barracudas, baleias, no litoral do Rio de Janeiro e Espirito Santo se dá o ápice desse fenômeno de ressurgência, daí o fluxo pesqueiro intenso na região de Arraial do Cabo, peixes pequenos com metabolismo e teor de gordura altos para aguentar as baixas temperaturas, dão lugar e peixes grandes do nordeste brasileiros que se alimentam de grandes cardumes.

Aves canadenses em movimento migratório para o sul encontram, exóticas aves tropicais na amazônia, grandes animais africanos cruzam o continente buscando água nos períodos de seca e sabem exatamente onde, meses depois de sua cruzada pela planície do Serengeti, haverá chuva abundante. O volume de polinização das abelhas ainda hoje é o principal responsável por alimentar o mundo, sim somos pequenos diante dessas forças da natureza porém estamos comprometendo vários desses ciclos que nem ao certo reconhecemos. Até hoje muito de fala sobre as causas do efeito estufa mas pouco se comprova, se a queima de combustível fóssil compromete ou não a temperatura da terra, o avanço para outros combustíveis se dará muito mais por questões tecnológicas do que ambientais. 

O homem acha que é o todo poderoso no mundo mas não consegue combater sua pobreza, sua incapacidade de conviver em harmonia com seus semelhantes, é pequeno diante da Terra, basta ver que o comércio é global, a comunicação instantânea mas ainda hoje não temos capacidade de prever muitas coisas simples como um simples cair de uma folha ou não temos abrangência de cobertura de rede de celulares maior que 15% do globo. Ainda sim explicamos a bela e poética neve européia no deserto do Saara ou as tempestades de areia pintando de marrom os picos enevados dos Alpes Suíços. 

Se existe vida nesse grão de areia em que vivemos é por equilibradas influências magnéticas da Lua e energéticas do Sol. "Há uma beleza de movimentos num equilíbrio internamente reconhecidos em qualquer planeta saudável para seres humanos, você pode ver nessa beleza um dinâmico efeito estabilizador essencial a toda a forma de vida. Seu objetivo é simples: manter e produzir padrões coordenados de diversidade cada vez maior. A vida aumenta a capacidade de sustentação da vida num sistema fechado. A vida - todas as suas formas - está a serviço da vida. Os nutrientes necessários tornam-se disponíveis, através da vida, para servirem a outros tipos de vida de variedade cada vez maior, à medida que aumenta a diversidade dessa imensa vida. Toda a paisagem se torna viva, então cheia de relacionamentos e relacionamentos dentro de relacionamentos." - Frank Hebert em Duna. 


terça-feira, novembro 07, 2017

Só para lembrar do meio ambiente

Na semana em que o governo brasileiro leva a maior delegação do país na conferência sobre o clima, joga-se panos quentes no aumento do desmatamento do país ou nossa ineficácia em controlar nossas emissões de carbono. O discurso do governo é que o Brasil tem uma das mais audaciosas promessas de redução de emissão ... promessas, de efetivo nada é feito ! 
Dentre alguns dados que saltam os nossos olhos numa semana em que o mundo olha para essa conferência estão os dados que apontam a indústria da carne como maior emissora que um país inteiro, por exemplo a Alemanha que despejou 902 milhões de toneladas de CO2 enquanto a indústria da carne 932 milhões de toneladas, a companhia líder em emissões ? A nossa JBS que enfim saiu dos noticiários policiais, porém para um destaque nada honroso..  os dados são do instituto de agricultura europeu e antes que os mais práticos reclamem, sim é possível manter o nível de produção de alimentos mesmo com diminuição das emissões de gases tóxicos. 
Tudo bem então, se não diminuírem as emissões dos gases responsáveis pelo efeito estufa, afinal existe muita controvérsia em relação a isso certo ? Errado, mesmo que independente das emissões de carbono uma coisa já está ocorrendo: a temperatura do planeta está subindo, analisando dados históricos é possível comprovar isso, observando o derretimento das geleiras também mas se nada disso conseguir fazer você lembrar que o meio ambiente está zoado, vamos a um outro fato concreto, o aumento do nível do mar ! De 10 anos prá cá um fenômeno está intrigando os pesquisadores brasileiros, vários pontos da nossa costa estão perdendo terreno para o mar! Praias no Ceará, na Paraíba e no Estado do Rio estão comprometidas, esse fenômeno sem explicação relacionada o ciclo das mares pode ser irreversível ! Alguns pontos decerto foram historicamente regiões invadidas pelo mar em épocas de ressaca (como é o caso da ciclovia da Prainha no Recreio dos Bandeirantes), outras como praias do norte fluminense, simplesmente sumiram do mapa. Um estudo das nações unidas  mostra uma tendência de aumento de 3.2 graus Celsius até 2100, o que resultaria em degelo nas regiões polares que inundaria regiões costeiras em todo o mundo, mas especialmente na Ásia. O impacto 
em cidades como Shangai, Hong Kong e Osaka seria catastrófico, mas cidades como Rio de Janeiro, Miami e Alexandria também seriam afetadas. Segundo a ONU essa tendência é real e os 83 anos que nos faltam até lá não seriam suficientes construir obras para conter essas inundações.
Se isso tudo ainda não fez com que você começasse a se preocupar com nossa Terrinha, vamos sair de previsões, tendências, fatos presentes... vamos olhar um passado recente e que não só afeta ao meio ambiente, mas afeta vidas diretamente e mesmo assim pouco importa ... imagina se o meio ambiente vai importar ? Estamos há dois anos do desastre de Mariana onde casas foram engolidas pela lama de rejeito de minério de ferro da Samarco (Vale do Rio Doce). O maior desastre ecológico do país até agora não teve nenhum responsável preso, as multas foram ínfimas diante da destruição e do poder de pagamento das empresas envolvidas, se uma região inteira devastada não sensibiliza pela maneira a qual lidamos com o meio ambiente, é bom lembrar que até hoje moradores da cidade sofrem de depressão e outros problemas de saúde, o número de tentativas de suicídios aumentou em 67%, os motivos vão desde o trauma, a perda de familiares e bens até o preconceito e a falta de perspectiva econômica (o desemprego na região saltou de 5% para 23%, enquanto o do país não passa dos 15%). A crise é pior quando se tem uma catástrofe ambiental e estamos diante de algumas!

segunda-feira, outubro 23, 2017

Políticas velhas com novas roupagens

Eis que no meio do caos político, ético e moral instaurado no país os panelaços se calaram, o povo cansou e vive agora cabisbaixo e estarrecido com o que acontece diariamente no nosso país. Livres, os candidatos se testam numa eventual corrida eleitoral, mas nem o líder das pesquisas, Lula, dá como certa sua campanha, o medo de uma articulação para lhe colocar preso antes da eleição faz com que sua campanha não emplaque e Haddad continua de sobreaviso para assumir a campanha a qualquer momento. 

Ciro Gomes alfineta seus tiros de sempre, mas em geral algumas balas lhe atiram no pé, Marina Silva é a mesma Marina Silva de sempre e Bolsonaro vive a experiência de ser um novo Enéas (só que extremamente mais destemperado e com parte de seu  eleitorado se mostrar dúbio a ponto de votar em Lula caso este se confirme candidato), dependendo da composição eleitoral Bolsomito chega em terceiro lugar se transformando rapidamente em Bolsomico.  Eis que surge um racha no PSDB de figurões como Aécio, Geraldo Alckmin, Jereissati e Serra. Entre a união com o governo Temer e o afastamento visando o benefício eleitoral estão Bernardinho e João Dória candidatos prováveis aos governos de seus estados, isso caso João Dória não se lance candidato ao planalto contra seu padrinho eleitoral Alckmin e contra toda a cúpula de seu partido, ah! isso se ele continuar no seu partido, afinal ele é político como todos os outros, e negocia bem o seu passe como eles, mas diz não ser político.

Antônio Dionísio Amoedo é outro que tenta mostrar que seu sucesso como empresário, pode lhe angariar um fenômeno eleitoral como ocorrido com Dória, só que sua esfera eleitoral é mais ambiciosa e ao invés de começar pleiteando um cargo local, vai direto para o âmbito nacional. A grande vedete das eleições presidenciais parece mesmo ser Luciano Huck, que a exemplo de Silvio Santos em 1992, vai nadar de braçada com um programa eleitoral pouco conhecido mas com uma popularidade invejável. A promessa de uma estabilidade econômica ditada por Armínio Fraga pode dar a segurança que o empresariado não tinha com Silvio Santos.

Frente a esse cenário incerto, falta achar o representante do governo, a posição do DEM, do PR, do PMDB e de outros partidos que dão a articulação política do governo. Essa coalizão está atualmente no poder e dificilmente vai sair dessa posição. As velhas raposas acompanham tudo de longe para escolher qual a roupagem de cordeiro mais lhe cairá bem quando o momento certo chegar.


sábado, outubro 21, 2017

Vida de chuva

Entre a chuva dos trópicos
Os raios e os trovões
Me vejo perdido no espaço
Murmurando aos meus botões
Pra que serve a vida de fato
Se seguir vivendo é tão chato
Que se aproveite da vida
Os prazeres da chuva
Cai , molha , seca , levanta
Brincadeira e ciranda...
Que leve-se mais dessa vida
Que entregue-se mais por enquanto
Que estamos no limiar da morte
E mesmo com sorte 
Ou até mesmo o azar
Podemos buscar
Evoluir, ensinar, se doar
Eis aí o segredo da chuva
Que na rotina dos ciclos
Restaura a vida
Em tudo o que há

sexta-feira, setembro 29, 2017

Heterosexualidade em colapso

Em meio a um debate de proporções acaloradas sobre sexualidade no Brasil morre Hugh Hefner, o fundador da revista Playboy. Um cara de vislumbrou muito além do seu tempo quando resolveu ganhar dinheiro no mercado de sexualidade em 1953 arrematando algumas fotos de uma desconhecida Marilyn Monroe nua. O dinheiro só dava para uma edição da revista e mesmo assim o espírito empreendedor arriscou tudo... a revista estourou!
Mais que um editor de uma revista masculina, Hugh foi o reflexo de uma época, num período que o mundo passou por grandes transformações. Ele por si só foi o marco de uma época, o exemplo de um playboy capitalista durante a guerra fria, um exemplo de liberalização sexual quando o mundo clamava por isso, quando divórcios e relações fora do casamento se tornavam comuns. Ele refletiu a história, incentivou costumes, massificou pensamentos, sugeriu um padrão de sofisticação contemporizando drinks, livros, carros, jazz e ... mulheres. Vendeu as mulheres como um produto, mas de certa forma as valorizou nesse aspecto. Causou impacto por entrevistas e mudou costumes e cultura no mundo inteiro. Por fim sucumbiu diante do empodeiramento das mulheres que subiram outros patamares de valorização pelo que pensam e atuam, envelheceu diante da massificação da pornografia gratuita e digital, na vida pessoal se tornou cafona mas entra na imortalidade de um tempo pelas marcas que deixou.

quinta-feira, setembro 28, 2017

Um grande conflito armado em curso

Não estou falando da briga dos gordinhos americano e norte coreano na insanidade do mundo gerido por fanfarrões. Nossa luta armada ocorre aqui no Brasil, bem diante de nossos olhos... o ápice foi na maior favela do mundo, a Rocinha, mas poderia ser em qualquer lugar do Brasil.
Muitos pensam que o conflito da Rocinha é um fenômeno de violência entre traficantes do Rio ou algo bem particular de uma comunidade que aprendeu a conviver com o tráfego de drogas, uma briga de dois traficantes e uma mulher no meio de narco-egos e traição. A análise é muito mais profunda... tem a ver com algo que não se investiga no Brasil, o tráfico internacional de armas, obviamente associado ao tráfico de drogas. Tem a ver com o vácuo no poder e na desarticulação de um cartel criminoso internacional.

Tudo começa bem longe daqui.. do Rio e até do Brasil.... mais especificamente nas florestas da Colômbia. As FARC desistiram de sua luta política, seu poderio econômico se tornou pouco relevante diante das décadas de combate massivo ao tráfico internacional de drogas que financiava essa braço político a partir dos cartéis de Meddelin e Cali. Novos players desse mercado entraram em concorrência aberta, são novos produtores, no deserto do México, no Caribe e na África, são mercados que descriminalizaram o uso e a produção da maconha como o Uruguai e novas drogas sintéticas. Tudo isso tornou o mercado dos grandes cartéis se diluir e se mostrar irrelevante, a luta política por sua vez também ficou pra trás. Ainda existe a produção mas não cabe mais um combate ostensivo. Ou seja, os colombianos depuseram suas armas e permanecem no silêncio da mata sem perturbar ninguém, restringindo seu território que já foi de 30% da Colômbia a pequenas vilas na floresta amazônica colombiana, peruana e .... brasileira. Nesse cenário de vácuo estamos nós,  os pobres cariocas reféns do tráfico! Há um espólio em jogo, há um desmando no poder do crime, um Estado fraco e muita coisa em jogo.

Há tempos nota se que os traficantes do Rio não entram em São Paulo e vice versa, nessa geopolítica do crime PCC não mexe com ADA e nem com CV. Mercados distintos e um acordo no poder do crime, algo possivelmente alinhavado na Vieira Souto, em Brasília ou em luxuosas mansões de São Paulo,  endereços dos verdadeiros senhores das drogas. Desde a inércia do poder político brasileiro o que se vê é uma instabilidade nesse status quo. Traficantes decretaram guerra nos presídios da Amazônia e do Nordeste. Facções entraram em conflito. O espólio de armas depostas pelas FARC entrou no jogo. A corrida pelo filão do tráfico internacional fez com que traficantes do Rio e de São Paulo influenciassem uns aos outros. Os confrontos no morro carioca se dão pela disputa de espaço entre a ADA (Amigos dos Amigos) e o Comando Vermelho (CV). A ADA, chefiada por Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, tinha o controle local. O traficante comanda suas operações de Rondônia, onde cumpre pena de prisão. A região, porém, virou-se para o CV com o fortalecimento de Rogério Avelino da Silva, o Rogério 157, antigo aliado e substituto de Nem na favela da Rocinha. Desde janeiro, a ADA vem recebendo fuzis enviados pelo Primeiro Comando da Capital, o PCC que opera em São Paulo, Nordeste e Norte tem tanta força que há tempos demanda esforços da polícia federal e da ABIN. Suspeita-se que o grande poderio econômico do PCC inclua além de empresas de fachada, grandes corporações do mercado tradicional que além de lavar dinheiro, financiam políticos, subornam advogados, policiais e juízes. Um verdadeiro esquema armado aos moldes dos esquemas de corrupção investigados pela Lava-Jato.
Mais de uma vez esse ano foi identificada a entrada de armas pesadas no Brasil, vindas do espólio das FARC, para as principais facções criminosas. Os chefes do crime estão se armando.... O CV carioca e o PCC paulista disputam espaço para que se tornem grupos de tráfico internacionais. O conflito no Rio de Janeiro não é apenas carioca. É parte de uma guerra que está em curso em todo o território nacional e que tem por objetivo controlar a produção e a distribuição de drogas no continente. A escalada da violência no Rio nos últimos meses se deu para financiar essa luta armada num território sem comando do estado e com uma população amedrontada.

O Exército anunciou que faria um cerco completo à Rocinha horas antes de efetivar a operação — uma tática já usada noutros momentos. Dá tempo aos traficantes em guerra deixarem o local, evitando um confronto com armas pesadas que, inevitavelmente, mataria muitos. Uma forma de evitar um conflito abertamente, algo que exporia a deficiência das nossas forças de segurança. No meio disso tudo gritos de ordem saem dos palcos do Rock in Rio, numa dissonância entre os camarins e a nuvem deixada pelo público que fuma um, mas que não aguenta mais violência.

quinta-feira, julho 06, 2017

O avesso dos sexos - parte 4


em viagem juntos
horárioele ela
06:40despertador dele toca levanta feliz porque está de fériasdespertador dela toca pausa por 20 minutos
07:00Resolve voltar pra cama a abraçar elaAcorda reclamando que está de férias e podia acordar mais tarde
07:20Chama ela pra cama tenta ir ao banheiro
07:40escova os dentes e toma um banho com calma, afinal está de fériastoma banho
08:00arruma uma mochilaliga pra mãe
08:20Se vesteSe veste
08:40Desce para tomar caféPenteia o cabelo
09:00Espera por ela comendo biscoitosDesce para tomar café
09:20Toma café Reclama que ele não espera
09:40Brigam
10:00Faz as pazes com elaTenta ir ao banheio
10:20Vai ao banheiroSe arruma ainda emburrada com ele
10:40Reclama que ela demoraFaz as pazes com ele
11:00Brigam
11:20Saem brigados
11:40Caminham pelas ruas Resolve dar a mão pra ele
12:00Fazem as pazes
12:20Entram num museu
12:40Olha o celularVê a exposição
13:00Toma um caféQuer almoçar
13:20Quer almoçarFaz compras numa loja
13:40Almoçam em paz
14:00Passeiam pelas ruasdesce para tomar café correndo antes que parem de servir
14:20Quer ir pro hotel dormirOlha o celular
14:40Pensa em se separar Posta fotos com ele
15:00Briga com elaDiz que o ama
15:20Fazem um passeio
15:40Conta uma piadaTenta rir um pouquinho
16:00Acelera o passo pra ir a um outro lugarPara pra tirar foto
16:20Deixa ela pra trásBriga com ele
16:40Entrar num museuPensa em se separar
17:00Encontra com ela Encontra com ele
17:20Pede desculpasPede pra ir jantar num restaurante caro
17:40Correm pra um pracinha
18:00Senta num banco tira umas fotos
18:20Fala que a amaposta no Instagram
18:40Voltam pro hotel
19:00Dorme Se distrai no Facebook
19:20RoncaToma banho
19:40Acorda com o seu roncoSe veste
20:00Se vesteReclama que ele demora
20:20Sai apressadoSai deslumbrante
20:40Jantam tranquilos
21:00Rouba o doce delaCome um doce
21:20Diz que a ama Pede mais vinho
21:40Procura na internet o resultado do futebolse acha feliz
22:00Vão para o hotel
22:20Quer namorarCapota bêbada de sono
22:40Olha pra elaSonha com ele
23:00Pensa em se separar Dorme tranquila
23:20Deita-se ao lado delaReclama da luz
23:40Diz que a ama Levanta pra ir ao banheiro
00:00Dorme felizSorri para ele
00:20Ronca Está tão feliz

quarta-feira, julho 05, 2017

O avesso entre o sexos - parte 3


em viagem separados
horárioele ela
06:40despertador dele toca levanta feliz porque está de fériasdespertador dela toca pausa por 20 minutos
07:00escova os dentes e toma um banho com calma, afinal está de fériasAcorda reclamando que está de férias e podia acordar mais tarde
07:20arruma uma mochilatenta ir ao banheiro
07:40se veste pega o tenis com menos chulétoma banho
08:00vai emboraliga pra mãe
08:20caminha pela cidade para ver a alvoradalembra da tia
08:40para numa padaria para tomar café se veste, se olha no espelho se achando empodeirada
09:00toma café apreciando o movimento de despertar das ruasarruma a bolsa
09:20vai passear em praças e caminhar pela cidade até os museus abriremacha que está esquecendo de algo
09:40entra na fila de um museu joga tudo em cima da cama pra tentar ver o que esqueceu
10:00entra no museu troca de bolsa
10:20conhece o museu reclama que ta frio
10:40para na loja do museu troca de roupa
11:00acessa pelo celular um site pirata pra comprar algo que viu no museu desce para tomar café correndo antes que parem de servir
11:20caminha pelas ruas toma o café
11:40pega o metro para uma estação ao leo tenta ir ao banheiro
12:00conhece um lugar desconhecidoliga pra mãe reclamando que está com prisão de ventre
12:20Almoça um sanduiche chora
12:40para numa loja e olha as coisasresolve sair
13:00contempla o céu pensa em ir para a piscina do hotel
13:20caminha pelas ruas resolve sair
13:40Resolve tomar um café penteia o cabelo e passa perfume
14:00paga a conta e bate um papo com a garçonetesai
14:20entra numa igrejacaminha pelas ruas
14:40finge rezar se acha feliz
15:00lembra da mãe pensa em ligar, confia na telepatia.tira umas fotos
15:20caminha pelas ruas posta no Instagram
15:40entra na fila de um museu Se distrai com o Facebook
16:00entra no museu entra na fila de um museu
16:20conhece o museu reclama da fila do museu
16:40Se lembra que não penteou o cabelo sai da fila
17:00Entra num banheiro do museuvolta pra fila
17:20caminha pelas ruas o museu fecha
17:40Faz um passeio num lugar distantechora
18:00Pega chuva entra num bistrô
18:20passa a mão no cabelo come um doce
18:40se sente cansado se acha feliz
19:00entra numa estação de metro pra se abrigar da chuvaliga para as amigas
19:20Ve o movimento de uma metropole efervescente nos tuneis do metrotira selfies comendo um brownie
19:40Pensa em ligar pra um amigodescarrega o celular
20:00Entra numa padaria pra se abrigar da chuvasente vontade chorar
20:20experimenta um pão diferenteSe controla e não chora
20:40Resolve ir pro hotelcaminha pelas ruas
21:00Resolve curtir uma noitadanão sabe pra onde ir
21:20Entra numa boatechora
21:40Se acha pobrecompra uma bolsa que está precisando
22:00Resolve saircompra algumas coisas que está precisando
22:20Caminha apreciando as luzes da cidadeResolve ir para o hotel
22:40Come alguma coisa pela ruase perde
23:00Vai para o hotelvai pro hotel
23:20Toma um banhoJanta
23:40Planeja o roteiro do dia seguinteposta fotos da fila do museu diz que o dia foi incrível!
00:00Vai dormirVai dormir
00:20Dorme Fica com insônia
00:40Acorda com o seu roncochora
01:00Volta a dormirDorme